Vias respiratórias humanas “varrem” intrusos para fora

Estudo publicado na revista “Science”

28 agosto 2012
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Ter o nariz a pingar e tosse com expetoração causada por constipação ou uma alergia causa desconforto. Mas as vias respiratórias dependem de muco viscoso para expelirem corpos estranhos do organismo, incluindo agentes tóxicos e infeciosos, revela um estudo conduzido na University of North Carolina, EUA.

 

Os autores do estudo, Brian Button, Michael Rubinstein e colegas explicaram que o estudo traz nova luz sobre a forma como as vias respiratórias expelem o muco dos pulmões, o que poderá fornecer novas pistas sobre doenças como a asma, fibrose cística e doença pulmonar obstrutiva crónica.

 

Michael Rubinstein explicou que “o ar que respiramos não é propriamente limpo” e que “necessitamos de um mecanismo para remover todas as impurezas que respiramos e a forma como isso é feito é através de um gel muito pegajoso chamado muco, o qual apanha essas partículas, expelindo-as com a ajuda de cílios minúsculos”.

 

“Os cílios estão em constante movimento, mesmo quando estamos a dormir”, continua o autor. “[Os cílios] empurram, de forma coordenada, o muco com os corpos estranhos para fora dos pulmões e ora engolimo-lo ou cuspimo-lo para fora. Estes cílios continuam ainda a bater durante algumas horas depois de morrermos. Se parassem de bater seríamos invadidos por muco, produzindo-se assim um território fértil para a proliferação de bactérias”.

 

Até agora acreditava-se num modelo “gel em líquido” para a eliminação do muco, segundo o qual uma camada aquosa atuava como lubrificante e separava o muco das células epiteliais que revestem as vias respiratórias humanas. Mas este modelo não explica como é que o muco permanece numa camada distinta. “Não podemos ter uma camada aquosa a separar o muco viscoso das nossas células porque existe uma pressão osmótica no muco que o faz espalhar-se na água”, afirmou Michael Rubinstein. “O que é que então faz com que o muco não adira às células?”

 

Segundo as recentes descobertas, a equipa propõe um modelo de eliminação “gel em escova”, ou seja, o muco é expelido através de uma camada periciliar tipo escova em vez de uma camada aquosa. Os investigadores acreditam que este mecanismo captura, com melhor precisão, o processo de eliminação do muco humano.

 

“Esta camada (esta escova) parece ser muito importante para que as vias respiratórias tenham um funcionamento saudável”, afirma Michael Rubinstein. “[A camada] protege as células do muco viscoso, criando uma segunda barreira de defesa para o caso de os vírus ou bactérias penetrarem no muco. Não penetrariam na camada da escova já que a escova é mais densa”, explica.

 

Sempre que a camada de muco fica demasiado densa pode furar a escova periciliar, destruir os cílios e aderir à camada celular. “A destruição desta escova é o que faz com que o muco fique imóvel, resultando em infeções, inflamações e na eventual destruição de tecido pulmonar e perda da função pulmonar”, explicou Michael Rubinstein. “Mas o nosso modelo deverá orientar os investigadores no desenvolvimento de novas terapias para tratar doenças pulmonares e disponibilizar-lhes biomarcadores para o rastreio da eficiência dessas terapias”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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