Via de sinalização central em linfoma pode ser bloqueada

Estudo da Universidade de Zurique

09 abril 2015
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Cientistas da Universidade de Zurique identificaram uma via de sinalização fundamental em linfomas de células B, um tipo de cancro maligno do sangue, e demonstraram que esta via pode ser bloqueada através de fármacos que estão atualmente em desenvolvimento. Este achado pode revelar-se extremamente importante para o diagnóstico, prognóstico e tratamento da doença no futuro.
 
O linfoma difuso de grandes células B (LDGCB) é um tipo de cancro do sangue e a doença maligna mais comum do sistema linfático. Apesar de o LDGCB ser fatal se não for tratado, a taxa de sobrevivência no caso de tratamento com quimioterapia combinada com anticorpos ascende aos 60-70%. Contudo, nem todos os tipos de LDGCB respondem da mesma forma ao tratamento padrão, o que resulta num mau prognóstico para este tipo de doentes. Uma vez que a biologia deste tipo de linfoma é ainda pouco conhecida, as abordagens terapêuticas direcionadas para estes casos são escassas.
 
O estudo desenvolvido pelos investigadores da Universidade de Zurique, na Suíça, teve como base a hipótese de que não seriam apenas as alterações genéticas que desempenhavam um papel fulcral no desenvolvimento do linfoma, mas também as alterações epigenéticas. 
 
Como tal, os cientistas analisaram a denominada metilação do ADN, uma alteração epigenética que controla a atividade de vários genes humanos. A metilação alterada do ADN é uma característica comum a uma grande variedade de tumores, razão pela qual os cientistas consideraram que as células de linfoma poderiam usar também este mecanismo de regulação em seu benefício.
 
De facto, a análise bioinformática dos perfis de metilação de cerca de 70 amostras de pacientes revelaram oito regiões no ADN, denominadas gene loci, que se encontravam todas anormalmente hipermetiladas e se revelaram importantes para a sobrevivência das células. 
 
“Experiências subsequentes revelaram um locus em particular que está bloqueado em quase todos os pacientes com linfoma examinados devido à metilação do ADN e que, portanto, não pode ser traduzido em proteína”, resumiu a líder do estudo, Anne Müller.
 
Além disso, os investigadores descobriram ainda que em grandes coortes de pacientes, o silenciamento epigenético deste locus do gene revelou ser um fator de prognóstico negativo extremamente significativo para a sobrevivência a longo prazo de doentes com LDGCB. 
 
“Este fator pode, portanto, ser importante para o diagnóstico e prognóstico da doença, assim como para as decisões terapêuticas no futuro”, afirmou a investigadora.
 
O locus do gene agora identificado contém informação genética para uma enzima, uma fosfátase, que regula uma importante via de sinalização nas células do linfoma e é, como tal, essencial para a sobrevivência das células tumorais. Atualmente já existem inibidores que se encontram em desenvolvimento clínico para esta via de sinalização. 
 
O estudo agora desenvolvido demonstrou ainda, tanto em cultura de células como em modelos animais, que estes inibidores podem ser eficazes contra células de linfoma. Os linfomas em ratinhos tratados com um fármaco desenvolveram-se de forma consideravelmente mais lenta em comparação com aqueles de ratinhos que não tinham recebido qualquer tratamento.
 
De acordo com Corina Schmid, coautora do estudo, “terapias de combinação com outras substâncias já estabelecidas revelaram ser especialmente eficazes, o que faz com que a via de sinalização descrita seja um alvo promissor para futuros tratamentos contra o cancro”.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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