Vergonha na infância afeta saúde mental em adulto

Estudo da Universidade de Coimbra

08 Outubro 2013
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As experiências de vergonha na infância e na adolescência afetam a saúde mental e bem-estar em adulto, de acordo com um estudo da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Coimbra (UC).
 

“Indivíduos, cujas experiências de vergonha na infância e na adolescência funcionam como memórias traumáticas e se tornam centrais para a sua identidade e história de vida, estão mais propensos a desenvolver psicopatologia (sofrimento psicológico e emocional) na idade adulta”, dá conta uma nota divulgada pela UC, à qual a agência Lusa teve acesso.
 

Esta investigação – “Memórias da vergonha que moldam quem somos” – é a primeira, a nível internacional, sobre “a fenomenologia das experiências e memórias de vergonha (as suas componentes emocionais, cognitivas e comportamentais)”, salienta a mesma nota.
 

O estudo explora “episódios de vergonha vividos na infância e na adolescência e em que medida passaram a funcionar como memórias traumáticas e autobiográficas, condicionando a sua identidade, comportamento e saúde mental na idade adulta”, refere a UC.
 

“Fundamental para regular as nossas relações sociais e para a formação da nossa identidade”, a vergonha “ainda é uma emoção menosprezada”, mas esta investigação da UC evidencia como a “vergonha pode ser uma experiência bastante dolorosa, intensa e com um impacto nocivo” na forma como as pessoas se veem e no seu bem-estar.
 

“Verificámos que as experiências de vergonha, vividas na infância e na adolescência, operam como memórias traumáticas, influenciam a construção da identidade dos indivíduos (por exemplo verem-se como pessoas inferiores, desvalorizadas, falhadas, etc.) e contribuem para o surgimento de sintomas de psicopatologia, como depressão, ansiedade, stresse, ideação paranoide ou ansiedade social, na idade adulta”, sublinha Marcela Matos, que desenvolveu a sua tese de doutoramento no âmbito deste projeto.
 

O estudo envolveu três mil entrevistas, junto da população geral, e 120 em pacientes com diagnósticos diversos (depressão, perturbações ansiosas, do comportamento alimentar e da personalidade, entre outros), alertam para a necessidade de intervenção clínica, não só na vergonha, mas também nas memórias da vergonha.
 

“Os clínicos devem estar mais atentos a esta emoção e ao seu papel na sintomatologia do doente”, referiu a investigadora do Centro de Investigação do Núcleo de Estudos e Intervenção Cognitivo-Comportamental da UC.

 

“A vergonha é uma emoção transdiagnóstica e se não for detetada e tratada atempadamente pode não só funcionar como um obstáculo à terapia, mas também estar associada a vários sintomas de psicopatologia e levar à autodestruição”, adverte Marcela Matos. É igualmente necessário, acrescenta e especialista, “apostar na adoção de medidas de prevenção na infância e na adolescência, nomeadamente junto dos agentes educativos”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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