Veneno de tarântula pode aliviar a dor?

Estudo da Universidade de Queensland

02 março 2016
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O veneno da tarântula contem uma toxina peptídica que poderá ser utilizada como analgésico, sugere um estudo apresentado ao longo da 60ª Reunião Anual da Sociedade Americana de Biofísica.
 
Quando um indivíduo é mordido por determinadas aranhas ou cobras, é libertado um cocktail de toxinas que pode causar reações sérias que, se não forem tratadas, podem ser letais. Por outro lado, milhões de pessoas em todo o mundo vivem com dor crónica e neuropática, isto acontece porque, em parte, os tratamentos atuais que aliviam apenas parcialmente a dor, têm um perfil de efeitos secundários soporíferos e podem também ser muito viciantes. É neste contexto que a comunidade científica tem tentado encontrar novos agentes terapêuticos, mas eficazes. Adicionalmente estão também a tentar compreender melhor como as moléculas atuam para reduzir a dor. Isto poderá conduzir a analgésicos novos e alternativos que poderão melhorar a qualidade de vida de muitos indivíduos com dor crónica.
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade de Queensland, na Austrália, decidiram investigar a ProTx-II, uma toxina peptídica encontrada no veneno da tarântula peruana de veludo verde, a Thrixopelma pruriens. A ProTx-II é capaz de inibir, com seletividade e eficácia, o recetor da sensação da dor. Na opinião dos investigadores, estes fatores tornam-na um candidato ideal para um futuro analgésico. 
 
Os investigadores já sabem que a ProTx-II liga-se a um recetor da dor localizado na membrana das células neuronais. Contudo, o que ainda estava por esclarecer, é o local da ligação ou qual o papel que a membrana celular tem na inibição da atividade da ProTx-II.
 
Através da utilização da ressonância de plasma de superfície, métodos de fluorescência e simulações moleculares, os investigadores verificaram que a membrana celular desempenha um papel importante na capacidade da ProTx-II inibir o recetor da dor. Verificaram, especificamente, que as membranas celulares neuronais atraem o peptídeo para os neurónios, intensificando a sua concentração em redor dos recetores da dor. Posteriormente o péptido fixa-se na orientação correta para maximizar a interação com o alvo.
 
Este estudo é o primeiro a descrever a importância das propriedades de ligação da ProTx-II à membrana e da eficácia da inibição de um importante recetor da dor, o Nav 1.7.
 
Para além do Nav 1.7, a membrana celular contem outros canais que estão envolvidos em vários processos fisiológicos, como o relaxamento muscular e dos nervos, regulação da pressão arterial e transdução sensorial.
 
Uma vez que estas funções estão associadas a várias condições, os investigadores esperam que estas descobertas revelem novos alvos terapêuticos para o tratamento de doenças neuromusculares, doenças neurológicas e inflamatórias, bem como para a dor neuropática. 
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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