Veneno de cobra bloqueia doença tipo BSE em ratos

Esperanças na cura da Doença de Creutzfeldt-Jakob

01 abril 2001
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Duas equipas de cientistas, de diferentes laboratórios, descobriram uma forma de travar ou atrasar o desenvolvimento da encefalopatia espongiforme em ratos. Isto é importante uma vez que mostra, por um lado, os mecanismos de acção e, por outro, novas formas de combater as infecções por priões que causam doenças como a Doença das Vacas Loucas e a Doença de Creutzfeldt-Jakob, encefalopatias espongiformes em bovinos e humanos, respectivamente. Estas doenças não têm cura conhecida actualmente.
 

 

Neil Mabbott e colegas da Unidade de Neuropatenogénese do Instituto de Saúde Animal de Edimburgo, Escócia, e Michael Klein e colegas da Universidade de Zurique, Suiça, demonstraram como uma parte do sistema imunológico – o complemento – auxilia na acumulação dos priões infecciosos no baço e outros órgãos do sistema linfático onde se dá a sua replicação para depois estes agentes migrarem para o sistema nervoso e causarem danos no cérebro, provocando a morte.
 

 

Estes cientistas deduziram que um sistema de complemento deficiente levaria a um bloqueio ou atraso da infecção priónica.
 

 

Assim, os cientistas manipularam geneticamente ratos de laboratório de forma a obterem animais com um sistema de complemento deficiente. O complemento é um sistema de cascata composto por várias proteínas que se ligam a agentes infecciosos, marcando-os. Estes agentes marcados são depois armazenados nas células dendríticas foliculares, que existem sobretudo nos gânglios linfáticos, iniciando-se o processo da sua destruição. No entanto, certos priões usam estas células para se replicarem.
 

 

Os ratos geneticamente modificados não produziam variados componentes do sistema de complemento (entre os quais o C1q e C3) ou os receptores destes nas células dendríticas foliculares (células que acumulam os agentes infecciosos marcadas com as proteínas do complemento). Estes animais não desenvolveram a doença ou, então, esta foi retardada.
 

 

A equipa de Edimburgo conseguiu ainda inibir o sistema de complemento temporariamente por administração de veneno de cobra aos ratos. A administração simultânea de priões e veneno de cobra durante 5 dias foi o suficiente para atrasar o desenvolvimento da doença em quase um mês, o que é significativo em ratos.
 

 

A administração de doses mais elevadas de priões anulava o efeito o que mostra que estes agentes usam também outros caminhos para se replicarem e causarem a doença. Mas estas descobertas são importantes porque demonstram a importância do sistema de complemento nas fases iniciais de infecção, sugerindo a possibilidade de desenvolver novas formas de tratamento.
 

 

No entanto, quando o período de incubação é longo, como é o caso nestas doenças, uma terapia que se baseasse na anulação do complemento só seria eficaz quando a infecção fosse detectada no início, o que é difícil.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

Biólogo
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fonte: New Scientist e Reuters

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