Variante humana das vacas loucas aumenta na Grã-Bretanha

Doença de Creutzfeldt-Jakob “atacou” mais 20 por cento da população

06 setembro 2001
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Continua a crescer na Grã-Bretanha o número de infectados com a variante humana da doença das vacas loucas. Este ano, e em comparação com o ano anterior, a doença de Creutzfeldt-Jakob “atacou” mais 20 por cento da população, sendo as pessoas do norte de Inglaterra e Escócia as que correm mais riscos.
 

 

Estes dados foram revelados ontem pelo reputado cientista James Ironside, do Hospital Geral Western, em Edimburgo, durante uma conferência científica.
 

 

Para James Ironside esta é uma nova forma de observação da doença baseada em dados de epidemiologia e estatística. “Em vez de observarmos o problema em linha recta, estamos a analisar a tendência ascendente que tem vindo a aumentar nos últimos quatro trimestres".
 

 

Por enquanto, e segundo o cientista, não se sabe se o número de infectados irá crescer durante os próximos tempos. Mas, no momento, Ironside pode afirmar que quase o dobro de pessoas para um milhão de habitantes desenvolveu a doença no norte do país, em comparação às taxas encontradas no sul.
 

 

Até agora, mais de 100 pessoas desenvolveram a doença degenerativa do sistema nervoso, que os cientistas suspeitam estar relacionada ao consumo de carne contaminada com encefalopatia espongiforme bovina (BSE), ou doença da vacas loucas.
 

 

Doença misteriosa
 

Apesar de acreditar que a disseminação da doença não chegue a atingir um milhão de pessoas, Ironside não deixa de acrescentar dados como o longo período de incubação, que segundo os especialistas pode durar décadas, e vários factores genéticos que podem influenciar a susceptibilidade à doença.
 

 

Por enquanto, os mecanismos que dão origem à doença continuam envoltos em mistérios por desvendar. De acordo com o professor, também não há uma clara explicação para o número de casos no norte da Grã-Bretanha ser maior do que no sul.
 

 

Uma das possibilidades, segundo o especialista, é de que os hábitos alimentares dos habitantes do norte fazem com que eles estejam mais expostos à variante da doença, pois consomem mais alimentos que contém carnes de segunda classe.
 

 

Vacina à vista
 

Entretanto, uma equipa de investigadores da Universidade de Zurique continua os estudos com vista à elaboração de uma vacina contra a variante humana da Doença das vacas loucas, bem para combater a a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) .
 

 

Depois de vários meses de pesquisa, os cientistas suíços anunciaram ontem ter concluído a primeira fase do estudo da vacina. Trata-se de uma vacina contra as doenças de priões sobre a qual se poderá efectuar outros trabalhos para desenvolver medicamentos tanto para o homem como para o animal.
 

 

Os roedores, como os homens, possuem priões normais, que são proteínas celulares. Mas o sistema imunitário não consegue distinguir os priões saudáveis dos doentes e lutar contra estes últimos.
 

 

Para evitar esse problema, a equipa dos investigadores do Instituto de Neuropatologia da Universidade de Zurique, liderada pelos professores Adriano Aguzzi e Frank Heppner, modificou geneticamente ratos para que produzam anticorpos.
 

 

É uma espécie de “imitação” de uma vacina a qual consegue que o sistema imunitário fabrique anticorpos contra um agente estranho.
 

 

Nesta experiência, os anticorpos não destruíram os priões normais, o que constitui um dado importante para os futuros estudos aplicadas.
 

 

A segunda descoberta importante deste trabalho é que a presença de anticorpos dirigidos contra os priões normais pode prevenir o desenvolvimento de uma doença nos ratos.
 

 

Apesar dos avanços deste estudo, continua por esclarecer os mecanismos de protecção contra as doenças dos priões - Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB) e a Creutzfeld- Jacob no ser humano. Mas, em princípio, tudo indica que o sistema imunitário é capaz de combater os priões que dão origem às doenças degenerativas do sistema nervoso.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

Fonte: Reuters e CNN
 

 

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