Variante genética associada a doença cardíaca nas mulheres

Estudo publicado no “British Journal of Clinical Pharmacology”

21 agosto 2014
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Um novo estudo canadiano identificou a base genética para a doença cardíaca nas mulheres. Esta descoberta irá permitir ajudar a identificar as mulheres que são mais suscetíveis a este tipo de doença.


A descoberta foi feita na sequência de um estudo conduzido pela Western University em London, no Canadá.


A doença cardíaca é historicamente associada aos homens. No entanto, as mulheres na pós-menopausa correm o mesmo risco que os homens de virem a desenvolver uma doença cardíaca, com a desvantagem de a doença poder não lhes ser devidamente diagnosticada.


O estudo liderado por Ross Feldman identificou uma variante comum de um gene que codifica o recetor 30 de estrogénio acoplado à proteína G (GPER, sigla em inglês), que torna as mulheres significativamente mais suscetíveis de sofrerem de hipertensão, o que constitui o maior fator de risco para acidente vascular cerebral (AVC) e enfarte agudo do miocárdio.


Por outro lado, o GPER, se funcionar normalmente, é parcialmente ativado pelo estrogénio e relaxa as artérias, por seu turno, baixando a pressão arterial.


O estudo apurou que nas mulheres que possuem uma forma de GPER que não funcione corretamente, o risco de sofrerem de hipertensão é aumentado. Os investigadores puderam observar, numa clínica de tratamento da hipertensão arterial, que os casos com maiores índices de hipertensão arterial se verificavam nas mulheres que expressavam a variante do gene GPER; no entanto, isto não se aplicava aos homens.


Nesta mesma clínica, foi igualmente verificado que quase metade das pacientes expressavam aquela variante genética. Finalmente, os investigadores apuraram que havia o dobro das mulheres, em relação aos homens, que expressavam a variante genética com casos de hipertensão de difícil tratamento.


Segundo o líder do estudo, “isto é um passo para compreendermos os efeitos do estrogénio na doença cardíaca e para percebermos porque é que algumas mulheres têm mais tendência para enfartes agudos de miocárdio e AVC que outras”.


Os sintomas de doença cardíaca nas mulheres são diferentes em relação aos homens: as dores podem não ser localizadas no peito e os padrões e distribuição da dor podem também ser distintos dos homens. Os sintomas, nas mulheres, podem também ocorrer durante os períodos de repouso e sono. Morrem anualmente mais mulheres por doença cardíaca do que homens.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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