Variante genética associa esquizofrenia, doença bipolar e alcoolismo

Estudo publicado na revista “Psychiatric Genetics”

24 julho 2014
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Investigadores do Reino Unido descobriram uma variante genética rara que está associada a um maior risco de desenvolvimento de esquizofrenia, transtorno bipolar e alcoolismo, refere um estudo publicado na revista “Psychiatric Genetics”.
 

Os investigadores da Universidade College London, Reino Unido, constataram que os indivíduos com esta variante apresentavam um risco duas a três maior de desenvolver esquizofrenia ou dependência de álcool. A variante, presente em uma em cada 200 pessoas, foi também associada a um risco três vezes maior de desenvolver doença bipolar.
 

Este estudo teve por base a análise genética de 4.971 indivíduos diagnosticados com um dos três transtornos e com 1.309 pacientes saudáveis. Foi verificado que as pessoas com a variante do gene GRM3, envolvido na sinalização cerebral, apresentam um maior risco de desenvolvimento de esquizofrenia, transtorno bipolar e alcoolismo.
 

A associação entre o GRM3 e a esquizofrenia foi também confirmada num estudo levado a cabo por um consórcio de mais de 200 instituições, e publicado na revista “Nature”. Este trabalho envolveu a análise dos genomas de 36.989 indivíduos com esquizofrenia e 113.075 indivíduos saudáveis, de todo o mundo. Foram encontrados 108 locais genéticos diferentes associados com a doença, mas o gene GRM3 foi o único para o qual se identificou uma mutação específica responsável.
 

“Poderemos estar perante o próximo alvo terapêutico para o tratamento das doenças mentais. Na verdade, este trabalho abre novas vias para a prevenção e tratamento das doenças mentais uma vez que revela o mecanismo envolvido no seu desenvolvimento”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos coautores do estudo David Curtis.
 

Atualmente, a esquizofrenia é tratada com fármacos que reduzem a atividade da dopamina, a qual tem um papel importante na comunicação entre células. Contudo, a atividade excessiva deste neurotransmissor pode fazer com que haja comunicação entre zonas do cérebro que deveriam estar supostamente separadas.
 

No entanto, a dopamina não é o único neurotransmissor utilizado pelas células para comunicarem entre si. O glutamato é outro dos neurotransmissores envolvidos e o GRM3 codifica a proteína que as células cerebrais utilizam para detetar o glutamato. A ativação das células cerebrais é controlado por canais de cálcio. Este último estudo implica tanto o glutamato como os canais de cálcio no desenvolvimento da esquizofrenia.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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