Variabilidade climática aumenta risco de morte dos idosos

Estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”

12 abril 2012
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As variações, aparentemente pequenas, das temperaturas de verão podem diminuir a esperança média de vida dos idosos que sofrem de doenças crónicas, sugere um estudo publicado nos “Proceedings of the National Academy of Sciences”.

 

Nos últimos anos, os cientistas previram que as alterações climáticas não só vão influenciar o aumento das temperaturas globais, mas também vão conduzir a um aumento da variabilidade das temperaturas durante o verão, especialmente nas regiões de latitude médias, como nas regiões do médio Atlântico dos EUA, e alguns países da Europa, nomeadamente, França, Espanha e Itália. De acordo com os autores do estudo, estas alterações de temperatura podem conduzir a problemas de saúde pública graves.

 

Estudos anteriores já tinham constatado uma associação entre as ondas de calor e uma elevada taxa de mortalidade. Mas de acordo com os investigadores da Harvard School of Public Health, nos EUA, mesmo pequenas alterações de temperatura causadas pelas alterações climáticas podem também aumentar a taxas de mortalidade dos idosos com diabetes, insuficiência cardíaca, doença crónica dos pulmões ou aqueles que sobreviveram a um enfarte agudo do miocárdio prévio.

 

Neste estudo os investigadores analisaram os dados clínicos de 3,7 milhões de indivíduos, com mais de 65 anos, que sofriam de doenças crónicas e eram oriundos de 135 cidades dos EUA. Os autores estudo analisaram se a mortalidades destes indivíduos estavam associada com a variabilidade das temperaturas atingidas durante o verão, tendo para tal tido em conta outros fatores que poderiam influenciar os resultados nomeadamente, os fatores de risco individuais, a variação das temperaturas no inverno e os níveis de ozono.

 

O estudo apurou que, em cada cidade, nos anos em que houve uma maior variação das temperaturas durante o verão, a taxa de mortalidade foi maior do que nos anos em que as oscilações foram menores. Por cada aumento de 1°C da temperatura de verão, a taxa de mortalidade para os idosos com doenças crónicas aumentou entre 2,8 a 4%. O risco de morte aumentou 4% para os indivíduos com diabetes, 3,8% para aqueles que tinham sofrido um enfarte agudo do miocárdio prévio, 3,7% para os que tinham doença pulmonar crónica e 2,8%para os indivíduos com insuficiência cardíaca.

 

Por outro lado, os investigadores constataram que o risco de mortalidade foi entre 1 a 2% maior para os indivíduos que viviam em condições de pobreza e para os afroamericanos. Contudo, o risco foi 1 a 2% menor para as pessoas que viviam em cidades com mais espaços verdes.

 

Os estudos fisiológicos sugerem que os idosos com doenças crónicas apresentam mais dificuldades em se ajustar a temperaturas extremas. “As pessoas adaptam-se às temperaturas normais dos locais onde habitam. Contudo, não se adaptam a flutuações de temperaturas fora do habitual o que em conjunto com o aumento da idade da população, a crescente prevalência de doenças crónicas e possíveis aumentos das flutuações de temperatura pode significar que este problema de saúde pública se agravará no futuro”, conclui o líder do estudo, Joel Schwartz.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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