Vacinas do futuro serão o fruto da «tecnologia dos transgénicos»

Último avanços na área são muito prometedores, afirmam cientistas

19 novembro 2001
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A engenharia genética, normalmente criticada por grupos ambientais e consumidores pelo seu papel na alteração de alimentos, pode ter encontrado um nicho capaz de ajudar a salvar a vida de milhões de pessoas afectadas pela maioria das doenças endémicas do mundo.
 

 

Com o uso das técnicas utilizadas na biotecnologia que incorporam genes úteis na variedade quase ilimitada de plantas comuns, desde o tabaco até à batata ao tomate ou até à banana, os cientistas pretendem criar vacinas baratas, permanentes e comestíveis para combater várias doenças.
 

 

Doenças como a cólera, a tuberculose e a hepatite são responsáveis pela morte de milhões de pessoas todos os anos, incluindo muitas crianças em países em desenvolvimento. Por isso, são vários os laboratórios em todo o mundo que se voltaram para o desenvolvimento de vacinas a partir de componentes que podem ser extraídos a partir de plantas alteradas.
 

 

Actualmente, a grande esperança, realista segundo a comunidade científica, é de que a luta da humanidade contra a malária, que já dura há séculos, pode estar perto do fim com a descoberta no ano passado do primeiro mosquito transgénico do mundo.
 

 

Até agora, a enorme variedade de aplicações potenciais da biotecnologia na luta contra as doenças parece não ter uma finalidade óbvia. «Estas tecnologias são muito recentes e não sei quando teremos vacinas disponíveis comercialmente. Mas a verdade é que esta possibilidade é fascinante.» Estas afirmações são de Mike Steward, imunologista na London School of Hygiene and Tropical Medicine.
 

 

Segundo este investigador, do ponto de vista biológico, a escolha da planta em que se inserem os genes é indiferente pois os princípios que regem a biologia molecular são universais pelo que «a versatilidade destas novas tecnologias são impressionantes.» No fundo essa escolha vai depender de questões de produtividade.
 

 

Uma alteração genética envolve a troca ou a junção de genes de espécies biologicamente não relacionadas, isto é: espécies que não se cruzam naturalmente.
 

 

Os cientistas podem, por exemplo, inserir genes do veneno de uma aranha em cereais como o milho tornando a planta resistente a insectos e a aves que dela se alimentam ou inserir genes de espécies específicas de peixes em tomateiros para estender a época de crescimento ao Inverno.
 

 

No que diz respeito ao desenvolvimento de vacinas, o último avanço neste domínio refere-se ao isolamento de uma proteína não-tóxica a partir do veneno de um escorpião comum em alguma zonas do Brasil. Quando essa proteína foi injectada em animais, provou ser uma potencial vacina na medida em que ela forneceu uma forte imunidade contra o veneno desse escorpião.
 

 

O problema é que a quantidade de proteína que pode ser extraída é muito limitada, pelo que, de momento, só será possível produzir a vacina para um número muito restrito de pessoas. De acordo com os investigadores, apenas as pessoas mais expostas ao perigo de serem picadas por escorpiões daquela espécie poderão ser vacinadas numa primeira fase.
 

 

No entanto, os investigadores decifraram o código genético da proteína e estão a utilizar raízes da planta do tabaco para «purificar» o gene que será, posteriormente, isolado e «cultivado» em laboratório de modo se obterem maiores quantidades de proteína para produzir a vacina em quantidade suficiente para todas as pessoas que dela necessitam. Desta forma, e de acordo com os investigadores, não se correrão riscos de que o gene do escorpião invada as espécies vegetais.
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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