Vacinação infantil: o que leva os pais a vacilar ou a recusar?

Estudo publicado no “Journal of Risk Research”

22 dezembro 2014
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A falta de comunicação por parte dos profissionais de saúde e a preocupação que surge em torno da segurança de uma vacina podem fazer com que mesmo os pais que, habitualmente não se recusam a vacinar os filhos e que geralmente seguem os programas de vacinação de rotina, hesitem ou se recusem mesmo a vacinar os seus filhos, sugere um estudo publicado no “Journal of Risk Research”. 
 
Neste estudo, os investigadores da Universidade de Haifa, em Israel, analisaram a recusa ou a hesitação dos pais em vacinarem os filhos após o surto de poliomielite, em 2013, em Israel. Enquanto não se registaram casos clínicos de poliomielite paralítica durante o surto, o Ministério da Saúde de Israel lançou uma campanha para imunizar as crianças com idade inferior a 10 anos, que já tinham sido protegidas com a vacina inativada contra a poliomielite, com a vacina oral bivalente, concebida para proteger as outras pessoas que ainda não estavam vacinadas contra a doença.
 
O estudo teve por base resultados de um inquérito e a análise de conteúdo das discussões dos pais em blogs, sítios da internet e Facebook.
 
O estudo apurou que apesar de a taxa de crianças vacinadas durante a campanha ter sido elevada, os que habitualmente não se recusavam a vacinar os filhos, hesitaram ou até mesmo recusaram a fazê-lo.
 
Um terço dos pais entrevistados, que se recusaram ou que hesitaram em vacinar os filhos, revelaram que a segurança da vacina foi uma preocupação, e que não ficaram convencidos com a informação fornecida pelo Ministério da Saúde ou da explicação para a necessidade da vacina.
 
Mais de um terço dos entrevistados disse que as informações fornecidas pelo Ministério da Saúde não foram completas e claras. Cerca de 28% dos pais que vacinaram os filhos disseram não ter percebido o propósito da campanha de vacinação.
 
Na opinião dos investigadores a ambiguidade nas comunicações pode criar desconfiança no sistema de saúde. 
 
Este estudo chama a atenção para a importância da transparência e da credibilidade da comunicação em saúde. Os investigadores recomendam que, no futuro, as organizações de comunicação exponham os dilemas, comuniquem fatos e falem de ciência até mesmo para leigos, especialmente em condições de incerteza. Os comunicadores devem educar o público e incluí-lo.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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