Vacina torna cancro do pâncreas sensível à imunoterapia

Estudo publicado na revista “Cancer Immunology Research”

20 junho 2014
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Investigadores americanos desenvolveram uma vacina que despoleta o crescimento de células imunes nos tumores pancreáticos, tornando-os possivelmente mais sensíveis aos efeitos da imunoterapia, dá conta um estudo publicado na revista “Cancer Immunology Research”.
 

O adenocarcinoma ductal pancreático, um dos cancros do pâncreas mais comuns, é resistente aos agentes quimioterápicos e é particularmente fatal, menos de 5% dos pacientes sobrevivem 5 anos após o diagnóstico. Habitualmente, este tipo de cancro também não despoleta uma resposta imune.
 

Foi neste contexto que os investigadores da Escola de Medicina da Universidade de Johns Hopkins, nos EUA, decidiram criar uma vacina, denominada por GVAX, que reprogramasse os tumores para incluírem um tipo de células imunes, os linfócitos T, capazes de combater o cancro. A vacina consiste em células tumorais irradiadas que foram modificadas de forma a recrutarem também células imunes para o tumor dos pacientes.
 

Para o estudo, os investigadores contaram com a participação de 59 pacientes com adenocarcinoma ductal pancreático. Os participantes foram divididos em três grupos: um foi apenas tratado com a vacina, o outro com a vacina e 200 mg/m2 de ciclofosfamida e o terceiro com a vacina e 100 mg/m2 de ciclofosfamida. A ciclofosfamida é um fármaco modelador que tem por alvo um tipo específico de linfócitos T, as Treg, que tipicamente suprimem a resposta de determinadas células T que destroem o cancro.
 

Duas semanas após a vacinação, todos os pacientes foram submetidos a uma cirurgia para remoção dos tumores. Os investigadores constataram que a administração da vacina conduziu à formação de estruturas, denominadas por agregados linfoides terciários, nos tumores dos pacientes. Estes agregados, presentes em 33 dos 39 pacientes que permaneciam sem doença, ajudaram a regular a ativação das células imunes. Foi também verificado que estes agregados apresentavam estruturas bem organizadas que tipicamente não apareciam naturalmente neste tipo de tumores.
 

Os agregados podem “de facto alterar o equilíbrio imunológico no tumor, criando um ambiente propício à ativação dos linfócitos T capazes de combater o cancro, os quais poderão ser educados para reconhecer as proteínas cancerígenas num ambiente tumoral específico”, revelou, em comunicado de imprensa, um dos autores do estudo, Lei Zheng.
 

O estudo apurou ainda que os tumores se tornaram imunogénicos, ou seja as células imunes encontradas na vizinhança do tumor tinham agora a capacidade de atacar as células cancerígenas.

 

“O nosso estudo sugere um novo modelo para o desenvolvimento de imunoterapia mais eficaz contra os tumores tradicionalmente não imunogénicos, como é o caso do cancro do pâncreas”, conclui o investigador.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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