Vacina personalizada para cancro do ovário mais perto

Estudo publicado na revista “Journal of Experimental Medicine”

29 outubro 2014
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Um novo estudo está a tornar o desenvolvimento de uma vacina personalizada para o cancro do ovário uma realidade cada vez mais próxima.
 
Investigadores da Universidade de Connecticut, EUA, descobriram uma nova forma de identificação de mutações nas proteínas de células cancerígenas e estão a desenvolver a vacina com base nessas técnicas. Este método irá agora entrar na fase de ensaios clínicos.
 
O cancro do ovário normalmente responde bem ao tratamento a curto termo. No entanto, a doença reincide no espaço de um a dois anos. Desta forma, serão escolhidas 15 a 20 pacientes com cancro do ovário. Durante aquele intervalo de tempo a equipa irá desenvolver vacinas personalizas a partir da análise do ADN de cada mulher.
 
A criação desta vacina terá como base a forma de interação do sistema imunitário com as células cancerígenas. O sistema imunitário precisa de reconhecer as células antes de as atacar. Na sua superfície, cada célula possui, zonas específicas denominadas epítopos, as quais são lidas pelo sistema imunitário para determinar se a célula é saudável ou não.
 
Os epítopos das células cancerígenas são muito semelhantes aos das células saudáveis. Desta forma, o sistema imunitário poderá não conseguir detetá-los e destruir as células cancerígenas. Segundo os investigadores, os epítopos das células cancerígenas possuem pequenos erros, que as diferenciam das células saudáveis. No entanto, entre mais de 1000 diferenças, apenas 10 poderão ser relevantes para o sistema imunitário, resultando que o mesmo não consegue identificar esses erros.
 
Neste estudo, os investigadores procuram identificar estas diferenças de forma a conseguirem que o sistema imunitário as reconheça.
 
Para o estudo, foram analisadas sequências de ADN de tumores da pele de ratinhos, tendo sido comparadas com as sequências de ADN de tecido saudável dos roedores. Estudos anteriores tinham incidido sobre a capacidade do sistema imunitário se ligar aos epítopos de células cancerígenas, o que funciona na conceção de vacinas contra vírus, mas não contra o cancro.
 
Esta equipa comparou as diferenças entre os epítopos de células cancerígenas e os de células normais. Foi posteriormente desenvolvida uma vacina que empregava os epítopos das células cancerígenas que diferiam das saudáveis. Os ratinhos foram inoculados e como consequência tornaram-se muito resistentes ao cancro da pele.
 
Se as vacinas que vão ser criadas para as mulheres forem eficientes e seguras, os investigadores irão pesquisar uma forma de prolongar a vida de pacientes com cancro do ovário.
 
Pramod Srivastava, investigador neste estudo, afirma que “este estudo servirá como base para o primeiro ensaio clínico desencadeado pela genómica na imunoterapia do cancro do ovário”. “Sabe-se que os pacientes possuem sequências genéticas que fazem deles melhores candidatos para alguns fármacos que outros” sendo que com base neste facto será criado um fármaco específico para cada doente.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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