Vacina personalizada contra melanoma mostra-se muito promissora
05 novembro 2001
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Um grupo de investigadores italianos coordenado por Giorgio Parmiani do Istituto Nazionale per Tumori, em Milão, testou uma nova vacina contra o cancro da pele (melanoma) que, de acordo com os resultados por eles obtidos, se revelou eficaz e segura.
 

 

Trata-se de uma vacina personalizada na medida em que é produzida de acordo com as características únicas do tumor de cada paciente. Estes resultados foram apresentados na passada quarta-feira, durante o encontro da American Association for Cancer Research, em Miami Beach (Florida –EUA).
 

 

Como actua a vacina?
 

 

A nova vacina, produzida por uma empresa farmacêutica sediada em New York (EUA), é composta por uma classe específica de proteínas designadas proteínas de choque térmico.
 

 

As proteínas de choque térmico são isoladas a partir do tumor do paciente e contêm um conjunto de sinais químicos único que constitui a impressão digital do tumor. Este conjunto único de sinais químicos têm a capacidade para re-programar o sistema imunitário para reconhecer, reagir e eliminar específicamente os tumores e não as células normais, que desta forma não são afectadas.
 

 

As vantagens desta abordagem no tratamento do cancro é que apenas as células tumorais são atacadas pelo sistema imunológico e não as células saudáveis, como acontece na oncoterapia convencional. De acordo com a Antigenics, o tratamento com Oncophage não implica os efeitos colaterais típicos dos tratamentos tradicionais – a Oncophage é simples de administrar e não implica qualquer tipo de dor.
 

 

A produção personalizada da vacina implica que os tumores dos pacientes sejam enviados para a Antigenics, onde a vacina pode ser fabricada de uma forma já se encontra padronizada e a um custo reduzido.
 

 

Dois pacientes recuperaram totalmente
 

 

 

Parmiani e seus colaboradores realizaram a pesquisa em doentes com melanomas na fase II de desenvolvimento. Historicamente, a sobrevivência nesta fase da doença é aproximadamente de sete meses. A fase II caracteriza-se pela presença de metástases em várias partes do corpo.
 

 

A vacina personalizada foi admnistrada a 39 pacientes com melanoma na fase II. Destes, dois encontraram a cura total no espaço de dois anos, cinco apresentavam uma recuperação muito satisfatória nesse mesmo espaço de tempo e nos restantes a doença estabilizou por um período que variou entre 153 e 272 dias.
 

 

A vacinação desencadeou o desenvolvimento de uma resposta imunitária anti-melanoma em mais de metade dos doentes deste estudo. Os investigadores realçam que as curas totais (respostas completas) são extremamente raras nesta fase da doença. Além destes resultados, os investigadores não observaram qualquer tipo de toxicidade da vacina.
 

 

Segundo o coordenador da equipa responsável pelos testes, «nenhum efeito tóxico foi associado à vacinação, nem mesmo uma irritação no local da injecção».
 

 

De acordo com este investigador, a resposta ao tratamento parece estar directamente associada à intensidade da resposta imunológica verificada nos pacientes.
 

 

Parmiani considera que «a resposta clínica desta vacina não difere muito de outros estudos clínicos de outras vacinas contra o cancro. Mas, relativamente às outras vacinas, esta apresenta uma maior correlação entre a resposta clínica e a resposta imunológica contra o tumor.»
 

 

Parmiani termina a sua declaração no comunicado de imprensa afirmando que «este estudo reforça outros dados obtidos anteriormente que demonstram o papel das proteínas de choque térmico na indução de uma resposta imunológica intensa.»
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet

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