Vacina para a malária pode ser impossível

Estudo explica complexidade do micróbio

17 julho 2002
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A complexidade do micróbio causador da malária é tão grande que pode ser impossível obter uma vacina contra esta doença, segundo um estudo norte-americano publicado pela revista científica Nature.
 

 

Os autores do estudo, liderado por Xinzhuan Su, dos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos, efectuaram análises genéticas do parasita, o "plasmodium falciparum".
 

 

Os especialistas concluíram que o micróbio é de uma grande complexidade genética, o que poderia ajudá-lo a mudar e a tornar- se resistente aos medicamentos contra a malária, dificultando a concepção de uma vacina.
 

 

Os cientistas examinaram os genomas de cinco variantes distintas do parasita, cada uma proveniente de uma região diferente do mundo e descobriram que apresentavam composições genéticas diferentes.
 

 

Esta descoberta levou os investigadores a concluírem que o "plasmodium falciparum" é mais antigo do que pensava, já que o antepassado comum mais recente das diferentes variedades terá vivido entre 100.000 e 180.000 anos atrás.
 

 

Os especialistas estudaram também a forma como o parasita se tornou resistente à cloroquina, um dos principais medicamentos contra a malária.
 

 

Verificaram que a resistência a este fármaco remonta aos anos cinquenta e, nesta época, foi uma situação restrita ao sudeste asiático, América Latina e Papua Nova Guiné.
 

 

No entanto, nos anos setenta surgiram também formas de malária resistentes à cloroquina em África, que os cientistas conseguiram relacionar com os episódios ocorridos vinte anos antes na Ásia.
 

 

Segundo os investigadores, o estudo demonstra que o micróbio pode mudar e tornar-se resistente aos medicamentos com relativa rapidez.
 

 

Além disso, acrescentam, essa resistência pode difundir-se sem grandes dificuldades de um continente para outro, algo que até agora não se acreditava ser possível.
 

 

Segundo Su, o estudo altera muito do que se pensava sobre a resistência à cloriquina.
 

 

"Em primeiro lugar, acontece com mais frequência do que nós pensávamos", sublinhou.
 

 

Por outro lado, actualmente os cientistas sabem que o parasita africano resistente não surgiu por si só mas teve origens no sudeste asiático e demorou apenas entre dez a quinze anos a expandir-se pelo continente.
 

 

"Isto significa que, quando surge uma variante resistente aos medicamentos, esta não demorará muito a alcançar outros continentes", concluiu Su.
 

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