Vacina e isolamento para atenuar ataque com varíola

Investigadores simularam reaparecimento da varíola

28 setembro 2002
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Ficar em casa ou vacinar-se são as melhores formas de atenuar as consequências de um ataque bioterrorista com o vírus da varíola, segundo um grupo de peritos reunidos em São Diego (Califórnia).
 

 

Para determinar o comportamento a ter em caso de um ataque bioterrorista com este vírus altamente contagioso, os investigadores simularam o aparecimento de um caso de varíola numa comunidade teórica de 200 famílias, cada uma com quatro membros, num total de 800 pessoas.
 

 

Na ausência de qualquer acção sanitária, um tal ataque mataria mais de 30 por cento desta população, ou seja 280 pessoas, explicou Joshua Epstein, da Brookings Institution de Washington, que apresentou a simulação durante uma reunião consagrada às estratégias contra o bioterrorismo, na abertura do mais importante congresso mundial sobre agentes microbianos (ICAAC).
 

 

Mas, se todo o pessoal médico em contacto com esta população estivesse vacinado, bem como todos os membros da família da pessoa afectada pela varíola, a mortalidade de um tal ataque limitar-se-ia a pouco mais de 5 por cento, ou seja, 45 mortos, explicou o investigador.
 

 

Por outro lado, se todos os membros da família da pessoa afectada pela varíola ficassem em casa, esta simples acção reduziria o número de mortos a 125, ou seja, um efeito equivalente à vacinação de metade da população.
 

 

"A vacinação em massa não é o único recurso face a uma epidemia", sublinhou Joshua Epstein.
 

 

Para o investigador, "a vacinação preventiva do pessoal hospitalar e das famílias afectadas forneceria uma protecção substancial", uma opinião partilhada por John La Montagne, director adjunto do Instituto nacional contra as alergias e as doenças infecciosas (NIAID) norte-americano.
 

 

Este último considerou que a vacinação contra a varíola "não é a única forma de defesa", acrescentando que o elevado número de efeitos secundários associados à vacina poderiam ser mal tolerados pelas pessoas com um sistema imunitário enfraquecido.
 

 

Uma decisão dos Estados Unidos sobre a vacinação anti- varíola do meio médico é esperada para as próximas semanas, um problema complexo já que, durante um breve período após a inoculação, uma pessoa pode transmitir o vírus utilizado na vacina.
 

 

No início desta semana, os Centros de Controlo de Doenças (CDC) de Atlanta anunciaram que em caso de um ataque utilizando a varíola será proposta ao conjunto da população uma vacinação em massa numa base de voluntariado num espaço de dez dias.
 

 

A varíola foi erradicada em 1977 e considerada oficialmente "extinta" no seu estado natural pela Organização Mundial de Saúde em 1980. O vírus faz parte do arsenal bacteriológico que se pensa poder ser utilizado por terroristas.
 

 

A varíola é uma das substâncias mais temidas em caso de ataque biológico, já que é um vírus altamente contagioso e para o qual não existe tratamento comprovadamente eficaz.
 

 

O vírus poderia ser libertado através de aerossol ou disseminado por um suicida infectado que se misturasse com multidões, tentando contaminar o maior número possível de pessoas.
 

 

Além do mais, o longo período de incubação, cerca de 12 dias, levaria a que uma pessoa pudesse infectar muitas outras sem saber.
 

 

Uma simulação anteriormente elaborada nos Estados Unidos demonstrou que se fossem infectadas 3.000 pessoas num ponto do país, a doença espalhar-se-ia em menos de duas semanas por centenas de milhar de pessoas por todo o país.
 

 

A doença foi considerada erradicada em 1977 e actualmente já não faz parte dos planos de vacinação da maioria dos países (Portugal incluído).
 

 

A varíola manifesta-se através de febres altas, fadiga, dores de cabeça e nas costas, seguidas de erupções cutâneas por todo o corpo. É fatal em cerca de 30 por cento dos casos.
 

 

Segundo os peritos, o facto de a doença ser altamente contagiosa pode refrear os ímpetos terroristas, já que muito provavelmente a varíola acabaria por atingir o próprio país de origem dos atacantes, menos preparado para a combater que outros mais desenvolvidos como os Estados Unidos.
 

 

Fonte: Lusa

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