Vacina contra VPH: uma única dose pode ser suficiente

Estudo publicado na revista “Cancer Prevention Research”

06 novembro 2013
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Uma única dose da vacina contra o vírus do papiloma humano (VPH) poderá ser suficiente para proteger contra infeções provocadas por este vírus e consequentemente impedir o desenvolvimento do cancro do colo do útero, dá conta um estudo publicado na revista “Cancer Prevention Research”.

Atualmente existem duas vacinas disponíveis que protegem contra infeções provocadas pelo VPH. De acordo com as atuais recomendações, devem ser administradas três doses destas vacinas aos 11 ou 12 anos, ou entre os 13 e 26 anos no caso das raparigas que ainda não tenham sido vacinadas.

Contudo, de acordo com um relatório elaborado pelo Centro de Controlo e Prevenção de Doenças, nos EUA, em 2012, apenas 53,8% das raparigas entre os 13 e os 15 anos iniciou a vacinação e apenas 33,4% recebeu as três doses recomendadas.

Assim, investigadores dos EUA, Costa Rica, Holanda e França decidiram determinar se duas ou até mesmo uma dose de uma das vacinas contra o VPH, a Cervarix, era capaz de induzir uma resposta imunitária robusta e sustentada.

Neste estudo os investigadores analisaram a presença de uma resposta imune à vacina através da medição de níveis de anticorpos encontrados nas amostras sanguíneas. Estas amostras foram retiradas a 78, 192 e 120 mulheres a quem tinha sido administrada uma, duas e três doses da vacina, respetivamente. Estes resultados foram comparados com os dados provenientes de um estudo com 113 mulheres que não tinham sido vacinadas, mas que apresentavam anticorpos contra o VPH no sangue, dado já terem sido previamente infetadas com este vírus.

Os investigadores constataram que, ao longo de quatro anos, as mulheres dos três grupos apresentaram anticorpos contra o VPH. Apesar de os níveis de anticorpos das mulheres que receberam um única dose serem mais baixos comparativamente com aquelas que receberam três doses, os níveis permaneceram estáveis.

O estudo apurou ainda que os níveis de anticorpos encontrados nas participantes que receberam uma ou duas doses da vacina eram 24 vezes mais elevados do que os observados nas mulheres que não tinham sido vacinadas, mas que tinham sido previamente infetadas.

“Estes resultados sugerem que o esquema de vacinação poderia ser simplificado tornando-se esta consequentemente menos dispendiosa, mais simples e com uma maior probabilidade de ser implementada em todo o mundo”, revelou um dos autores do estudo, Mahboobeh Safaeian.

“A administração de duas ou mesmo uma dose da vacina iria simplificar a logística e reduzir os custos de vacinação, o que poderá ser especialmente importante para os países em desenvolvimento, onde mais de 85 % dos cancros do colo do útero ocorrem, e onde este tipo de cancro é o responsável pela maioria das mortes associadas ao cancro”, conclui o investigador.

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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