Vacina contra o rotavírus não aumenta o risco de doença intestinal

Estudo publicado no “JAMA”

10 fevereiro 2012
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Após alguns estudos terem sugerido que a vacina contra o rotavírus poderia conduzir a um possível aumento do risco de invaginação intestinal, um novo estudo publicado na revista “JAMA” vem agora contrariar esses resultados.

 

Em 1999, a vacina tetravalente contra o rotavírus foi retirada do mercado dos EUA, devido a um aumento significativo do risco de invaginação intestinal, migração de um segmento do intestino para uma porção distal adjacente, que pode conduzir à obstrução intestinal. Mas a entidade que regula o mercado norte-americano dos medicamentos, a Food and Drug Administration (FDA), aprovou desde essa altura duas novas vacinas para a prevenção da infeção por rotavírus – a Rota Teq (pentavalente) em 2006 e a Rotarix (monovalente) em 2008.

 

Como resultado da anterior associação entre a administração da vacina tetravalente e a invaginação intestinal foram realizados vários estudos de pré-licenciamento destas últimas vacinas, os quais não constataram nenhum aumento do risco da doença. Contudo, duas avaliações recentemente efetuadas, já após a autorização, vieram reportar um aumento do risco de invaginação intestinal na primeira semana após a administração das vacinas contra o rotavírus.

 

Neste estudo, os investigadores da Harvard Medical School e da Harvard Pilgrim Health Care Institute, nos EUA, reanalisaram o risco de invaginação intestinal associado às vacinas, focando a sua atenção na primeira semana após a administração. O estudo incluiu cerca de 800.000 crianças com 4 a 34 semanas de vida, às quais foi administrada a vacina pentavalente, entre maio de 2006 e fevereiro de 2010. Os investigadores, liderados por Irene M. Shui, compararam as taxas de invaginação intestinal das crianças que tinham sido vacinadas com outras vacinas recomendadas, durante o mesmo período de tempo. Os investigadores incluíram os dados sobre o número de casos esperados de invaginação intestinal com base nas taxas de referência obtidas antes do licenciamento da vacina.

 

O estudo revelou que um mês após a vacinação ocorreram 21 casos de invaginação intestinal em comparação com os 20,9 casos esperados. Quatro semanas após a vacinação, verificaram-se quatro casos em comparação com os 4,3 esperados.

 

Os autores do estudo revelaram que ainda não está claro qual o motivo da discrepância de resultados entre os dois estudos. No entanto, adiantam que “como a invaginação intestinal é um evento raro, não podemos descartar a hipótese de um risco casual na Austrália e no México, assim como a possibilidade de se ter detetado um risco baixo nos EUA e Brasil. Os fatores genéticos e ambientais também podem justificar estes resultados”.

 

Os investigadores concluem que este estudo, em grande escala, demostrou que não há nenhum risco de invaginação intestinal após a administração da vacina pentavalente. A introdução das vacinas contra o rotavírus tem tido um impacto importante na saúde pública. Apesar de não excluírem a possibilidade de um risco muito baixo, os autores do estudo defendem que os resultados do estudo reforçam a vacinação das crianças contra o rotavírus como um modo eficaz de controlar esta doença.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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Comentários 1 Comentar

vacina rotavirus

na figura acima temos foto de uma seringa com agulha.A Vacina contra Rotavirus é oral...portanto quem escolheu essa foto se equivocou....obrigada!

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