Vacina contra Malária testada em Moçambique

Testes clínicos já arrancaram

21 julho 2003
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Já começaram os ensaios clínicos, em Moçambique, de uma nova vacina contra a malária. Desenvolvida pela empresa farmacêutica GlaxoSmith Kline, e financiada pela Fundação Bill Gates e pela fundação internacional Iniciativa da
 

Vacina da Malária, será aplicada a duas mil crianças. O controlo das operações do ensaio decorrerá no Centro Clínico da Manhiça, a 78 quilómetros de Maputo, propriedade do Hospital Clínico de Barcelona. É, aliás deste hospital a equipa de investigadores que coordena o projecto, chefiado pelo espanhol Pedro Alonso.
 

 

Os especialistas procuram uma vacina para a malária há mais de 50 anos, mas nunca conseguiu desenvolver-se uma realmente eficaz contra este flagelo, que faz adoecer por ano 300 milhões a 500 milhões de pessoas em todo o mundo. Um milhão desses casos são mortais, sendo as crianças as mais afectadas. Cerca de 90 por cento das infecções registadas ocorrem na África subsariana.
 

 

A malária é transmitida pela fêmea de um mosquito, o vector desta doença, do género «Anopheles», que, na picada na pele, transmite um parasita que ele próprio transporta, o «Plasmodium falciparum». Este parasita aloja-se primeiro em órgãos internos, como o fígado, e depois nos glóbulos vermelhos. Durante as fases de desenvolvimento, faz com que os glóbulos vermelhos inchem disformemente, acabando por rebentar num processo mortalmente enfraquecedor para o organismo e que provoca febres altas, as chamadas sezões, que caracterizam a doença.
 

 

Esta nova vacina, que se chama RTS,s/A S02 A, é fruto de um trabalho de 15 anos, seis dos quais com testes já em humanos. Concentra-se em interromper o desenvolvimento do parasita na sua fase mais inicial, de esporozoito. Por isso, é formada por uma proteína do próprio parasita nesta fase precoce, juntamente com fragmentos do vírus da hepatite B, não chegando ambos a provocar doença. Mas são suficientes para incitar o sistema imunitário a responder contra o parasita da malária, atacando-o.
 

 

Os ensaios durarão cerca de 18 meses, um período muito mais alargado do que os habituais dois meses. Tudo para que a equipa possa certificar-se de que o sistema imunitário das crianças que recebem a vacina não tem uma recaída tardia.
 

 

Leia tudo no:Público
 

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