Vacina contra infeções graves dos recém-nascidos foi desenvolvida

Estudo publicado na “PLOS Pathogens”

11 maio 2012
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Um grupo de investigadores do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar (ICBAS), da Universidade do Porto desenvolveu uma vacina capaz de proteger contra o principal agente causador de infeções nos recém-nascidos, o Streptococcus agalactiae, responsável pela septicemia e pela meningite, dá conta um estudo publicado na revista “PLOS Pathogens”.

 

De acordo com a líder da investigação, Paula Ferreira, “por enquanto, a única forma de controlar esta infeção é a administração profilática de antibióticos às grávidas”. Apesar de este tratamento ter conduzido a um decréscimo significativo” na incidência global desta infeção no recém-nascido, o problema continua a ser “a principal causa de morbilidade e mortalidade neonatal, nomeadamente por septicemia ou meningite”, disse a investigadora à agência Lusa .

 

Assim, “a vacinação maternal representa uma alternativa atrativa à administração de antibióticos”, levando deste modo a equipa do Laboratório de Imunologia do ICBAS a estudar formas de combater a bactéria que se encontra presente no trato genital feminino.

 

De acordo com a investigadora, “várias vacinas já foram propostas, a nível mundial, mas carecem de universalidade, uma vez que não conferem proteção para todas as bactérias desta espécie”. Agora este grupo de investigadores do ICBAS conseguiu, pela primeira vez, desenvolver “uma vacina capaz de combater todas as bactérias do agente infecioso”.

 

Após terem testado a vacina num modelo animal, os investigadores verificaram que os animais cujas mães tinham sido vacinadas estavam protegidos da infeção, ao contrário dos ratinhos nascidos de mães não vacinadas.

 

Para o desenvolvimento da vacina os investigadores utilizaram como alvo uma proteína (a gliceraldeído-3-fostato desidrogenase), produzida por esta bactéria, que induz no hospedeiro a produção de um fator imunossupressor, a interleuquina 10 (IL-10).

 

"Mostrámos ainda que a elevada suscetibilidade do recém-nascido à infeção por esta bactéria se deve à propensão do recém-nascido em produzir IL-10, que impede o recrutamento de uma célula imune, muito importante para a eliminação da bactéria, o neutrófilo", referiu a docente do ICBAS.

 

Por outro lado, a investigação concluiu que a vacinação materna impede esta produção de IL-10, permitindo o recrutamento do neutrófilo para os órgãos infetados, levando assim à eliminação do Streptococcus agalactiae.

 

"Uma vez que a proteína usada na vacina é essencial ao metabolismo da bactéria constitui um alvo apropriado para o desenvolvimento de uma vacina global, pois todas as bactérias produzem esta proteína", acrescentou Paula Ferreira.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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