Vacina contra gripe A aumenta risco de distúrbios de sono

Estudo publicado no “British Medical Journal”

01 março 2013
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As crianças e adolescentes que foram vacinados contra o vírus da gripe A (H1N1) apresentam um maior risco de desenvolver um distúrbio de sono conhecido por narcolepsia, sugere um estudo publicado no “British Medical Journal”.
 

Em 2009, o vírus H1N1 disseminou-se rapidamente tendo sido identificados milhões de casos e registadas mais de 18 mil mortes em mais de 200 países. Em Inglaterra, a vacina Pandemrix foi introduzida em outubro de 2009. Em março de 2010, cerca de uma em cada quatro (24%) crianças saudáveis com idades inferiores a cinco anos foram vacinadas, bem como cerca de um terço (37%) das crianças com idades compreendidas entre os dois e os 15 anos.
 

Em agosto de 2010, surgiram notícias na Finlândia e na Suécia sobre uma possível associação entre a narcolepsia e a vacina Pandemrix, também utilizada em Portugal. Em 2012, um estudo finlandês indicou que o risco de desenvolver um distúrbio do sono era 13 vezes maior em crianças e jovens com idades entre os quatro e os 19 anos.
 

A narcolepsia é uma doença crónica caracterizada por ataques súbitos de sono, muitas vezes acompanhada por uma incapacidade temporária de movimento como reação a uma emoção forte, conhecida como cataplexia. De forma a avaliar da vacinação em Inglaterra, uma equipa analisou os casos de 245 crianças e jovens, com idades compreendidas entre os quatro e os 18 anos, que tinham passado por centros de sono e serviços de neurologia infantil.
 

O estudo apurou que 75 crianças sofriam de narcolepsia e 56 também tinham cataplexia, tendo os primeiros sintomas iniciado após 01 de janeiro de 2008. Onze das crianças tinham sido vacinadas antes do início dos primeiros sintomas, sete foram vacinadas seis meses antes dos primeiros sintomas.
 

Após terem ajustado as condições clínicas, os investigadores concluíram que a vacinação, administrada em qualquer altura, estava associada a um riso 14 vezes maior de narcolepsia. No caso de a vacina ser administrada seis meses antes do síncio dos sintomas, o risco de desenvolver a doença é 16 vezes superior.
 

Apesar da toma desta vacina para prevenção da gripe sazonal seja agora pouco provável, de acordo com os autores do estudo estes resultados “têm implicações nos futuros licenciamentos e no uso do coadjuvante ASO3 para vacinas contra gripes provocadas por outros subtipos de vírus que provocam infeção como H5 ou H9”.
 

Os investigadores referem ainda que é necessário realizar mais estudos para estabelecer os riscos, se existirem, associados a outras vacinas usadas na pandemia de 2009, incluindo aquelas com ou sem coadjuvantes, para informar sobre o uso deste tipo de vacinas em caso de uma futura pandemia.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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