Vacina contra febre amarela provoca seis mortos

A vacina continua a ser aconselhada nas região endémicas e epidémicas, mas novos estudos vão ser feitos para investigar esta situação

12 julho 2001
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Na edição mais recente do The Lancet figuram três artigos que dão conta da ocorrência de efeitos secundários graves após a administração da vacina contra a febre amarela em sete pessoas: um homem de 56 anos de idade australiano, duas brasileiras (uma rapariga com cinco anos e outra com 22) e quatro idosos americanos, com mais de 62 anos de idade. Seis destas pessoas acabaram por falecer em consequência da administração da vacina.
 

 

Estes acontecimentos vieram levantar novas dúvidas acerca da segurança desta vacina com vírus atenuados. No entanto, os especialistas afirmam não existir razões para alarme e que a vacinação é ainda altamente recomendada para pessoas
 

que visitem e vivam em zonas tropicais e sub-tropicais, nomeadamente África e América do Sul, geralmente zonas endémicas e epidémicas desta doença.
 

 

A febre amarela é uma doença causada por flavivirus que são transmitidos por mosquitos e que afecta macacos e o Homem. Esta doença causa febres altas, icterícia, oligúria e proteinúria, hipotensão e hipovolemia. Hemorragias,
 

incluindo no tracto gastrointestinal, são frequentes.
 

 

A vacina geralmente usada para a febre amarela consiste numa versão atenuada do vírus (17D). Cerca de 100 milhões de doses da vacina 17D são produzidas anualmente sob o controlo da Organização Mundial de Saúde. Esta quantidade,
 

dizem os especialistas, será mais do que suficiente caso uma nova grande epidemia reapareça em África ou na América do Sul.
 

 

Os efeitos clínicos adversos da vacinação nestes sete casos variaram mas incluíram febre, hipotensão, disfunção hepática, icterícia e insuficiência renal e respiratória. No caso do australiano e das duas brasileiras, estes
 

apresentaram sintomas similares a indivíduos infectados com a estirpe selvagem (não atenuada) do vírus. Os casos americanos, pelo contrário, apresentaram manifestações clínicas que incluíam doenças multisistémicas que parecem ser novos sintomas pós-vacinação nunca antes descritos.
 

 

Num comentário a estes artigos, especialistas escrevem que, apesar da severidade destes casos, uma visão alargada permite dizer que não é necessária nenhuma mudança na prática da vacinação nas zonas endémicas e epidémicas da
 

febre amarela. "Não existe nenhuma correlação óbvia entre os casos apresentados nos três artigos", diz Phillipe Marianneau e colegas nesse comentário. Segundo
 

os mesmos, não há qualquer relação entre os factores individuais das pessoas - idade, país de origem, sexo, factores de risco epidemológicos ou médicos conhecidos - ou factores virais - lotes ou subestirpes da vacina usada,
 

períodos de vacinação, etc.
 

 

No entanto, aconselha que se faça uma investigação pronta e cuidada à forma como esta vacina atenuada está a ser conseguida e os seus efeitos nas células dos indivíduos saudáveis. Esta investigação, segundo os autores, devia recair sobre três pontos fundamentais: analisar detalhadamente a fisiologia do ataque dos vírus selvagem e atenuados nas células do hospedeiro; caracterizar a base e
 

modo de atenuação dos vírus (verificar se ocorrem mutações, etc.); e analisar a possível susceptibilidade, provavelmente determinada geneticamente e que afectará o sistema imunitário, de certos indivíduos ao vírus atenuado.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: The Lancet

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