Vacina contra a sida pode estar em causa

Cientistas advertem para aumento de casos de superinfecção

14 julho 2003
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A superinfecção com mais de uma estirpe do vírus da imunodeficiência humana (HIV) pode ser mais comum do que se julgava, complicando a descoberta de uma vacina, disseram especialistas numa conferência sobre Sida que decorre em Paris.
 

 

Na sessão de trabalhos de segunda-feira, cientistas norte- americanos relataram três novos casos de pessoas infectadas com o HIV que se encontravam bem sem tomar medicamentos, mas adoeceram anos depois por terem contraído uma segunda estirpe do vírus da sida.
 

 

«A superinfecção está a tornar-se séria», afirmou Anthony Fauci, director do Instituto Nacional de Doenças Alérgicas e Infecciosas, principal organismo de investigação sobre Sida nos Estados Unidos.
 

 

«Isso significa que embora se possa montar uma resposta adequada contra o vírus, o corpo ainda não tem capacidade para se proteger de uma nova infecção, o que torna a descoberta de uma vacina ainda mais difícil», acrescentou.
 

 

Este especialista diz ser ainda demasiado cedo para avaliar a dimensão do problema da superinfecção, mas não julga que seja esta a razão do súbito agravamento do estado dos pacientes sob tratamento.
 

 

Nenhum dos pacientes dos três casos discutidos nesta conferência de três dias, que reúne cerca de cinco mil especialistas do mundo inteiro, estavam a receber tratamento contra o HIV, que, com o tempo, pode tornar-se resistente aos medicamentos.
 

 

Na reunião, Luc Perrin, professor de virologia clínica da Universidade de Genebra (Suíça), disse ter encontrado superinfecções em dois suíços consumidores de drogas por via endovenosa.
 

 

No seu estudo, Perrin acompanhou 136 toxicodependentes seropositivos e constatou que a quantidade de HIV no sangue de cinco pacientes aumentou subitamente depois de ter estado controlada durante anos através de medicamentos. As análises confirmaram que dois destes cinco doentes tinham uma superinfecção.
 

 

Noutro estudo, Harold Burger, do Albany Medical College, de Albany, Nova York, afirma que testes genéticos feitos a uma mulher superinfectada mostraram que os dois vírus se misturaram e produziram um híbrido que tomou o lugar dos vírus iniciais.
 

 

Embora o desenvolvimento de um híbrido não seja surpreendente, já que os cientistas estimam existirem em circulação 14 estirpes misturadas, trata-se do primeiro caso documentado de duas estirpes de HIV, ou subtipos, que se combinaram numa pessoa para formar uma terceira estirpe.
 

 

Fonte: Lusa
 

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