Vacina comestível pode ser uma realidade próxima

Alfaces, tomates e espinafres trangénicos podem criar imunidade a várias doenças

07 outubro 2001
  |  Partilhar:

Pertencem à nova geração de vacinas, mas são muito diferentes das tradicionais. Feitas a partir de vegetais como batata, tomate ou soja geneticamente modificadas para produz anticorpos contra doenças, as «vacinas comestíveis» podem estar disponíveis dentro dos próximos 10 anos.
 

 

Deste modo, a protecção contra doenças como Sida e hepatite poderá ser tão fácil quanto comer uma salada ou tomar um comprimido.
 

 

Para Alexander V. Karasev, investigador da Universidade
 

Thomas Jefferson, na Filadélfia, o progresso tecnológico não chegou ao estado comercial por ser relativamente cedo, mas «provavelmente, nos próximos cinco anos, podemos esperar pela chegada de alguns produtos ao mercado».
 

 

Durante uma conferência de imprensa sobre biotecnologia alimentar, organizada pela American Medical Association, foram discutidos assuntos como dosagem apropriada e efeitos secundários.
 

 

Karasev, que está a desenvolver a aplicabilidade das «vacinas comestíveis», aponta que estas não serão alimentos. Tanto o tomate como a soja geneticamente modificados servirão de matéria prima para a produção de anticorpos, posteriormente usados na elaboração de comprimidos ou cápsulas disponíveis apenas sob prescrição médica.
 

 

Vantagens
 

 

Para o especialista, as novas vacinas comestíveis não substituirão as convencionais a curto prazo, mas, segundo assegurou à Reuters Reuters , podem ser mais seguras e baratas, o que pode torná-las mais disponíveis, especialmente nos países em desenvolvimento.
 

 

Os alimentos usados para administrar as vacinas não precisam ser conservados no frio como as vacinas convencionais e a distribuição não necessita de equipamento médico.
 

 

Além disso, as vacinas feitas a partir de vegetais não precisam ser submetidas aos mesmos tipos de testes daquelas que são produzidas a partir de tecido animal ou células humanas porque a probabilidade de contaminação é muito menor.
 

 

Alfaces, espinafres e imunidade
 

 

A alface foi o alimento escolhido por Karasev para desenvolver a nova vacina comestível. Em testes com humanos, um grupo de voluntários polaco comeu a alface trangénica e ficou imune ao vírus da hepatite B, doença que pode levar ao cancro no fígado.
 

 

Karasev acredita, portanto, que esta nova tecnologia poderá ser desenvolvida comercialmente e irá reduzir os custos das actual vacinação.
 

 

Contra a raiva, os cientistas estão a trabalhar num outro alimento: os espinafres. Após o consumo de três quantidades de espinafre transgénico, as pessoas apresentaram altos níveis de anticorpos contra a doença, segundo resultados preliminares do estudo.
 

 

Embora seja uma doença pouco comum, actualmente, não existe vacina contra raiva. Os pacientes são tratados após serem mordidos por um animal contaminado.
 

 

A equipa de Karasev também está a desenvolver em ratinhos um estudo sobre o HIV, o vírus da Sida, e a ingestão de espinafres transgénicos. No início deste ano, investigadores da Califórnia anunciaram que uma vacina feita a partir de batata protegeu animais contra várias infecções intestinais.
 

 

Paula Pedro Martins
 

 

MNI - Médicos Na Internet
 

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.