Vacina bloqueia adição à nicotina

Estudo publicado na “Science Translational Medicine”

02 julho 2012
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Investigadores americanos desenvolveram e testaram em ratinhos uma vacina inovadora que através de uma única dose é capaz de tratar a adição à nicotina, dá conta um estudo publicado na “Science Translational Medicine”.

 

A vacina desenvolvida pelos investigadores da Weill Cornell Medical College, nos EUA, utiliza o fígado dos animais para a produção contínua de anticorpos que impendem que a nicotina entre na corrente sanguínea e atinja o cérebro e mesmo o coração. “A nossa vacina permite que o organismo produza os próprios anticorpos monoclonais contra a nicotina, e dessa forma, desenvolver imunidade funcional”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Ronald G. Crystal.

 

“Apesar de ter sido apenas testada em animais, estamos com esperança que este tipo de estratégia possa ajudar milhões de fumadores que já tentaram deixar de fumar e que já esgotaram todas as alternativas existentes no mercado”, acrescentou o investigador.

 

A nova vacina contra a nicotina é um novo tipo de vacina baseada num vírus geneticamente modicado, de forma a ser inofensivo, e que contém dois tipos de informação genética: uma envolvida na produção de anticorpos monoclonais contra a nicotina e outra que tem por alvo a sua inserção no núcleo de células específicas do fígado.

 

Os investigadores verificaram, através de análises sanguíneas, que a administração da vacina aos ratinhos conduzia à produção de elevados níveis de anticorpos monoclonais de uma forma contínua. Foi também verificado que os níveis de nicotina que atingiam o cérebro eram apenas 15% dos habituais e que a sua administração não alterou a atividade física dos animais. Pelo contrário, os ratinhos aos quais tinha sido apenas administrado nicotina, ficavam mais calmos, o batimento cardíaco e pressão arterial diminuíam, sinais que indicavam que a nicotina tinha atingido o cérebro e ao sistema cardiovascular.

 

Os investigadores estão agora a planear testar a vacina em ratos e em primatas, um passo necessário para posteriormente ser testada em humanos. Caso os ensaios tenham êxito, esta vacina poderá ser utilizada nos indivíduos que estão a tentar deixar de fumar e também naqueles que nunca fumaram, como forma de prevenção.

 

“Assim, como os pais decidem vacinar os filhos contra o vírus do papiloma humano (VPH), também podem decidir vaciná-los contra a nicotina. Mas esta é para já apenas uma hipótese teórica”, conclui Ronald G. Crystal.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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