Vacina 3D pode combater cancro e doenças infeciosas

Estudo publicado na revista “Nature Biotechnology”

11 dezembro 2014
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Investigadores americanos desenvolveram uma injeção de biomaterial programável que é capaz de adquirir uma estrutura 3D no interior do organismo e ser capaz de combater e impedir o cancro bem como doenças infeciosas, revela um estudo publicado na revista “Nature Biotechnology”.
 

“Podemos criar estruturas de transporte minimamente invasivas que sejam capazes de ativar as células do sistema imunitário que tenham por alvo e que ataquem as células prejudiciais”, revelou, em comunicado de imprensa, o líder do estudo, David J. Mooney.
 

Neste testudo, os investigadores da Universidade de Harvard, nos EUA, desenvolveram pequenas estruturas biodegradáveis de sílica em forma de bastonete denominadas MSR (sigla em inglês de Mesoporous Silica Rods). Estas podem conter componentes biológicos e químicos e ser administradas através de uma injeção. No local da vacinação estas estruturas são capazes de adquirir uma estrutura 3D.
 

Os investigadores explicam que os espaços formados entre as MSR são possuem dimensão suficiente para serem preenchidos por um tipo de células imunes, as células dendríticas. Estas células que se comportam como “vigilantes”, são capazes de monitorizar e desencadear uma resposta imune na presença de componentes estranhos.
 

O estudo revelou que as MSR são sintetizadas com pequenos buracos interiores denominados nanoporos, os quais podem ser preenchidos com moléculas sinalizadoras específicas (citoquinas), oligonucleotídeos, antigénios ou qualquer fármaco de interesse.
 

Após as células dendríticas serem recrutadas para a estrutura 3D, os fármacos presentes nos nanoporos são libertados e ativam o sistema de vigilância das células dendríticas. As células dendríticas ativadas abandonam a estrutura e atingem os nódulos linfáticos. Aí acionam um “alarme” que faz com que células do sistema imunitário ataquem células específicas, como as células cancerígenas. Entretanto as MSR degradam-se e dissolvem-se naturalmente no organismo.
 

“Apesar de atualmente estarmos a focar-nos no desenvolvimento de uma vacina para o cancro, no futuro poderemos manipular o tipo de células dendríticas ou outro tipo de células que irão ser recrutadas para a estrutura 3D”, explicou uma das autoras do estudo, Aileen Li.
 

A investigadora referiu que, através da manipulação das propriedades da superfície e dos tamanhos dos poros das MRS, é possível controlar a introdução e a libertação de várias proteínas ou fármacos, e, consequentemente, manipular o sistema imunitário para tratar múltiplas doenças.
 

Os investigadores referem ainda que, para além de combaterem as infeções e determinado tipo de células, as vacinas 3D podem também ser eficazes como terapia de prevenção, uma vez que o mesmo mecanismo pode ser utilizado para fortalecer a resistência do sistema imune antes de uma infeção.
 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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