Utentes não estão satisfeitos com os centros de saúde

Estudo da DECO mostra descontentamento dos portugueses

26 março 2004
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 Um estudo efectuado pela DECO em Junho e Julho do ano passado não indicia grandes melhorias em relação a 2000. Numa escala de 1 a 10, o «índice de satisfação global» não vai além dos 5,5 por cento. Estas são as principais conclusões de um estudo da Deco/Teste Saúde realizado a partir das respostas de cinco mil utentes. O resultado revela também que 1/3 da população espera, em média, um mês por uma consulta com o seu médico de família. Em Espanha, o mesmo tipo de consulta consegue-se, em norma, de um dia para o outro.O tempo de espera pelas consultas, a falta de informação sobre os serviços disponíveis ou a dificuldade, quando não a impossibilidade, de escolher ou mudar de médico de família, são algumas das principais queixas dos utentes ouvidos no estudo que é publicado na edição de Maio/Abril da revista Teste Saúde, da DECO.O inquérito foi realizado antes da entrada em vigor da lei que criou a Rede de Cuidados Primários de Saúde, o que não implica alterações desde então, uma vez que, segundo fontesdo sector, ainda não se notam quaisquer reflexos da nova legislação no terreno. Segundo a Deco, as coisas pioram quando se trata de consultas da especialidade. Aqui, o tempo de espera sobe para cerca de dois meses. Mas num caso e noutro, o Algarve é a região que apresenta a situação mais grave, vincou Jorge Morgado, responsável daquelaorganização de defesa do consumidor. Em especialidades como a Ortopedia ou a Dermatologia, 60 por cento dos utentes esperam no mínimo um mês para serem atendidos. Talvez por isso o recurso aos médicos privados seja substancialmente superior nas consultas da especialidade. Com os dentistas à cabeça.Chegado o dia da consulta, os utentes dos centros de Saúde continuam a ter motivos de queixa: têm garantida uma média de espera de duas horas, em locais onde frequentemente faltam cadeiras, ou, em alguns casos, não existem de todo.Por outro lado, as facilidades de marcação de consulta também deixam a desejar. Um em cada três utentes diz ter de deslocar-se ao centro de saúde para marcar uma consulta, já que a facilidade do recurso ao telefone não está contemplada.  O estudo da Teste/Saúde revela ainda que quando o médico de família decide enviar um doente para uma consulta hospitalar urgente, está garantido um compasso de espera de cerca de dois meses. Sem o carimbo da urgência, ou seja, para uma consulta normal, o tempo de espera é maior.Cerca de 70 por cento dos inquiridos referem que o seu centro de Saúde fica a menos de três quilómetros de casa e a maior parte consegue lá chegar em 15 minutos. Eis uma vantagem. A Deco considera que esta proximidade é razão mais que suficiente para investir nos centros de Saúde, designadamente dotando-os de consultas de especialidade que aliviariam o recurso à consulta externa dos hospitais.  Fonte: DECO

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