Uso regular de analgésicos promove perda auditiva em homens mais jovens

Estudo publicado no “American Journal of Medicine”

03 março 2010
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O uso regular de aspirina, paracetamol e anti-inflamatórios não-esteróides (AINEs) pode aumentar o risco de perda de audição em adultos mais jovens, alerta um estudo publicado no “American Journal of Medicine”, que chama a atenção para o facto de este ser um problema de saúde pública, dado serem medicamentos altamente consumidos pela população.

 

Para o estudo, investigadores norte-americanos da Harvard University, Brigham and Women's Hospital, Vanderbilt University e Massachusetts Eye and Ear Infirmary, em Boston, analisaram os dados do Health Professionals Follow-up Study, que acompanhou mais de 26 mil homens, a cada 2 anos, durante 18 anos. O questionário aplicado aos voluntários avaliava o consumo de analgésicos, perda auditiva e uma variedade de factores fisiológicos, clínicos e demográficos. A equipa, liderada por Sharon G. Curhan, também avaliou outros factores como a idade e a exposição ao ruído, comparando-os com o risco de perda auditiva.

 

A aspirina, o paracetamol e o ibuprofeno são três dos medicamentos mais consumidos nos EUA. Os efeitos ototóxicos da aspirina estão relatados em vários estudos e a ototoxicidade dos anti-inflamatórios não-esteróides tem sido sugerida, contudo, a relação entre o paracetamol e a perda auditiva ainda não tinha sido analisada.

 

Na investigação foi verificado que os consumidores regulares de aspirina com idade inferior a 50 anos e os da faixa etária dos 50 aos 69 anos apresentaram uma probabilidade de perda auditiva 33% superior à dos restantes indivíduos que não tomavam o analgésico com regularidade. Para os consumidores de anti-inflamatórios não-esteróides, os que tomavam os fármacos com regularidade e tinham menos de 50 anos apresentaram uma probabilidade 32% maior de sofrerem do problema e os consumidores com mais de 60 anos tiveram um risco 16% mais elevado do que o grupo de consumidores não regulares.

 

No caso dos consumidores de paracetamol, quando comparados com os indivíduos do grupo de controlo, os que tomavam o fármaco com frequência e tinham menos de 50 anos mostraram uma probabilidade 99% maior de desenvolverem perda auditiva; em contrapartida, os consumidores na faixa etária dos 50-59 anos apresentaram uma probabilidade 38% mais elevada, sendo que os consumidores com mais de 60 anos registaram um aumento do risco de 16%.

 

A perda auditiva é uma dos problemas de saúde mais comuns nos EUA, onde se estima que atinja mais de 36 milhões de pessoas, um terço das quais com menos de 50 anos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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