Uso prolongado de antibióticos associado a pólipos colorretais

Estudo publicado na revista “Gut”

07 abril 2017
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Um novo estudo sugere que a toma de antibióticos entre a juventude e a meia-idade faz aumentar o risco de desenvolvimento de pólipos ou adenomas colorretais, que precedem o desenvolvimento da maior parte dos casos de cancro do cólon.
 
O estudo conduzido por uma equipa de investigadores de várias instituições de renome norte-americanas, vem na sequência de estudos anteriores que sugeriam uma associação entre a toma de antibióticos e o desenvolvimento de cancro do cólon.
 
Para o estudo, a equipa de investigadores analisou dados do Nurses Health Study (Estudo de Saúde dos Enfermeiros), um estudo que monitoriza a saúde de 121.700 enfermeiros dos EUA, que tinham entre 30 e 55 anos quando ingressaram no estudo em 1976. Os participantes no estudo responderam a questionários, a cada dois anos, sobre fatores do estilo de vida, historial clínico e desenvolvimento de doenças, e a cada quatro anos sobre os hábitos alimentares.
 
Os investigadores selecionaram 16.642 mulheres do estudo que tinham 60 anos ou mais de idade em 2004, e que forneceram dados sobre o uso de antibióticos entre os 20 e os 59 anos, e que tinham sido submetidas a pelo menos uma colonoscopia entre 2004 e 2010. 
 
Durante o período de investigação, foram diagnosticados 1.195 novos adenomas nas participantes. O uso recente de antibióticos não foi associado a um maior risco de diagnóstico de adenoma; no entanto, o uso prolongado dos fármacos foi. 
 
As mulheres que tinham tomado antibióticos durante dois meses ou mais, entre os 20 e os 39 anos, apresentavam uma propensão 36% superior de serem diagnosticadas com um adenoma em comparação com as que não o tinham feito. Esta associação manteve-se independentemente de o adenoma ser considerado de baixo ou alto risco para o cancro do cólon, mas revelou-se maior para crescimentos no cólon proximal, e não no distal.
 
Foi também apurado que as mulheres que tinham tomado antibióticos durante dois ou mais meses entre os 40 e os 59 anos apresentavam uma propensão 69% maior de desenvolverem um adenoma em comparação com as que não tinham tomado aqueles fármacos por um período prolongado. 
 
Finalmente, as mulheres que tinham tomado antibióticos por mais de 15 dias entre os 20 e 39 anos, e entre os 40 e os 59 anos apresentavam uma possibilidade 73% superior de serem diagnosticadas com adenoma em comparação com as que não tinham tomado aqueles fármacos na mesma faixa etária. 
 
Os antibióticos alteram o microbioma dos intestinos, reduzindo o número e diversidade de bactérias e a resistência a bactérias hostis ao organismo, explicam os investigadores. Estudos anteriores revelaram a falta de alguns tipos de bactérias e a abundância de outros em pacientes com cancro do cólon. 
 
Este estudo é de natureza observacional e por isso não é possível estabelecer uma relação de causa e efeito.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
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