Uso medicinal de ervas funciona

Os benefícios reais à luz da ciência

25 novembro 2004
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Testes científicos comprovaram que o uso medicinal de ervas tem «benefícios reais».Investigadores da universidade King''s College, de Londres, disseram que os tratamentos com medicina alternativa, feitos um pouco por todo o mundo, têm propriedades que podem ajudar a combater doenças como a diabetes e o cancro. Os remédios incluem, por exemplo, a folha da qual se faz o caril, um tempero da Índia, usada tradicionalmente para tratar diabetes. No entanto, os especialistas em medicina complementar afirmaram que são necessários testes clínicos completos para confirmar os benefícios dos tratamentos alternativos.Os cientistas examinaram tratamentos para a diabetes na Índia, remédios contra ferimentos usados no Gana e tratamentos contra o cancro usados na China e na Tailândia.Os cientistas sugerem que as descobertas ajudarão a população local a identificar quais as plantas que devem ser recomendadas e até pode levar ao estudo de possíveis novos compostos farmacêuticos.Os cientistas observaram que os extractos da folha de caril, chamada Murraya koenigii, restringiram a acção de uma enzima digestiva, a enzima alfa-amilase, que está envolvida na quebra do amido em glicose.Um doente com diabetes não produz insulina suficiente para lidar com o rápido aumento de níveis de glicose no sangue. Reduzindo a taxa de quebra do amido, ao bloquear a enzima, pode-se diminuir a incidência de glicose no sangue a partir do intestino.Os investigadores estão a procurar, agora, qual o composto da folha de caril tem esse efeito. Quando for identificado, dizem os cientistas, será possível desenvolver fármacos anti-diabetes.A equipa da King''s College, em comjunto com especialistas da Universidade Kwame Nkrumah, no Gana, também analisou plantas utilizadas pelo grupo étnico Ashanti. Para tal, entrevistaram curandeiros locais para identificar as plantas que eram usadas no tratamento de feridas e depois fizeram testes para ver se tinha alguma justificação do ponto de vista científico.Eles concluíram que o extracto da Commelina diffusa (trapoeraba) tinha actividades anti-bactericida e anti-fungicida, o que poderia ajudar a curar feridas e evitar infecções.No terceiro estudo, os cientistas analisaram plantas provenientes da China e da Tailândia usadas para o tratamento de cancro. Testes em laboratório foram realizados para observar a efectividade dessas ervas na inibição do crescimento das células cancerígenas. E viram uma «actividade promissora» contra as células do cancro do pulmão, especialmente com a planta Ammania baccifera, da Tailândia, e a Illicium verum, da China.Edzard Ernst, professor de medicina complementar da Escola de Medicina da Península, em Exeter, disse que o estudo não é uma surpresa, mas acrescentou: «Esse tipo de estudo é o primeiro passo de uma linha de investigação e, no final dessa linha, é necessário ter uma boa prova clínica de que isso funciona».Traduzido e adaptado por:Paula Pedro MartinsJornalistaMNI-Médicos Na Internet 

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