Uso excessivo de ansiolíticos e antidepressivos pelos alunos

Alerta do Observatório de Interações Planta–Medicamento

04 junho 2013
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O Observatório de Interações Planta–Medicamento (OIPM) alertou para o “uso excessivo” de ansiolíticos e antidepressivos pelos alunos, em época de exames, que pode “funcionar em contracorrente”, porque a memória fica diminuída.
 

“O uso de medicamentos na época dos exames traz vários problemas aos alunos”, disse à agência Lusa a investigadora Ana Rute Nunes, adiantando que “muitas destas substâncias aumentam os níveis de neurotransmissores, mas o custo na atividade neuronal a curto e longo prazo pode ser muito elevado, dado que muitas [destas substâncias] são produzidas sem nenhum controlo e o impacto que causam no organismo muitas vezes é imprevisível”.

 

A investigadora aconselhou ainda as pessoas a quem forem prescritas benzodiazepinas (ansiolíticos), como clonazepam, diazepam, flunitrazepam, ou antidepressivos (amitriptilina, citalopram, clomipramina, fluoxetina, nefazodona) a evitarem o consumo de álcool, de plantas ou extratos, como a erva de São João (hipericão), sumos de laranja, de toranja e gingko.
 

A coordenadora do observatório, Maria da Graça Campos, alertou os jovens para os riscos de misturarem álcool, drogas e outras substâncias psicoativas com medicamentos, afirmando que podem causar danos em saúde, “muitas vezes irreversíveis”.
 

“O consumo de álcool, drogas, incluindo as smartdrugs e outras substâncias psicoativas, como antidepressivos e ansiolíticos, continua a aumentar em Portugal”, referiu.
 

“Os malefícios do álcool são sobejamente conhecidos e um excelente exemplo para explicar que uma dose elevada única pode conduzir ao coma alcoólico e consequente morte, enquanto o consumo crónico pode induzir toxicidade hepática (cirrose) ”, adiantou.
 

Misturá-lo com medicamentos “pode causar várias falhas terapêuticas, desde a ineficácia de antibióticos ao efeito cumulativo de depressão do sistema nervoso”, advertiu.
 

Quanto às drogas ilegais, a docente lembrou que muitas destas substâncias são de origem natural, como a heroína (obtida da morfina que se retira da papoila dormideira), a cocaína (das folhas da coca), o LSD (de um fungo que se desenvolve no centeio), as anfetaminas (retiradas de várias plantas), cogumelos alucinogénicos e a canábis.
 

Segundo o observatório, os canabinoides naturais (da planta canábis sativa) e os sintéticos acentuam o efeito psicotrópico das benzodiazepinas, álcool e barbitúricos. Esta droga potencia a ação dos relaxantes musculares, broncodilatadores, antieméticos, fenotiazidas, medicamentos antiglaucoma, antiepiléticos, dissulfiram, varfarina, antidepressivos, como a fluoxetina, e de drogas como a cocaína ou os opiáceos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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