Usar glóbulos vermelhos como torpedos contra tecido doente

Novo método de levar substâncias específicas a um dado tecido pode revolucionar tratamento do cancro e outras doenças

27 junho 2001
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Uma equipa de cientistas da empresa Gendel na Irlanda do Norte desenvolveram um método de levar substâncias para tratar uma dada doença a um tecido específico - um cancro por exemplo - usando glóbulos vermelhos - células sanguíneas - do próprio paciente.
 

 

Os glóbulos vermelhos, ou eritrócitos, são carregados com a substância-medicamento que depois, e por meio de ultrassons, são direccionados ao tecido alvo. Ao chegarem, os glóbulos vermelhos abrem naquela zona, libertando o seu
 

conteúdo contra o mesmo tecido.
 

 

A descoberta explora um mecanismo descoberto por outro cientista irlandês o qual constatou que um campo eléctrico em pulsos torna os glóbulos vermelhos "sensíveis" aos ultrassons, de tal forma que rebentam na presença destes.
 

 

Eritrócitos não "sensibilizados" não rebentam quando atingidos pelos ultrassons.
 

 

A empresa está já a desenvolver um dispositivo automático que aceita cerca de 20 mililitros de sangue do paciente, "sensibiliza" os eritrócitos e carrega-os com a substância pretendida. Esta armazenagem é conseguida forçando poros na membrana das células que permitam a difusão da substância para dentro dela e depois fechá-los.
 

 

Numa segunda etapa, após duas ou três horas, o sangue tratado é re-injectado no paciente e os glóbulos vermelhos "sensibilizados" voltam a circular na corrente sanguínea normalmente, segundo os investigadores, até quatro meses após a injecção. À passagem pelo tecido doente, que será exposto a ultrassons da ordem dos 1 megahertz, os eritrócitos rebentam e libertam a substância que pretende curar a doença. Conforme a frequência e duração dos pulsos de ultrassons assim a substância é libertada de uma vez só ou por pulsos.
 

 

A companhia ainda não adiantou todos os pormenores do procedimento, nomeadamente como abri r e fechar os poros das células, por uma questão de marketing e criação de patentes.
 

 

A equipa de investigadores já testou o sistema em ratos e porcos (estes animais têm um sistema circulatório e eritrócitos semelhantes ao do Homem) com eritrócitos carregados com enzimas fluorescentes de forma a identificarem se as substâncias foram ou não libertadas nos tecidos que se pretendia.
 

 

Já existiam estudos no usos de glóbulos vermelhos para levar medicamentos a tecidos específicos só que as tentativas de os libertar quando e onde se queria não tinham tido grande sucesso. O facto de se usar células do próprio paciente é também uma vantagem porque não acarreta problemas de rejeição.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: New Scientist

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