Urgência noturna única a funcionar em Lisboa

Decisão da Ordem dos Médicos

16 agosto 2013
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A zona da grande Lisboa vai, a partir de 2 de setembro, contar apenas com uma única urgência noturna com todas as especialidades, uma decisão que a Ordem dos Médicos afirma ter sido “imposta” sem discussão com os parceiros.
 

A notícia avançada pela agência Lusa refere que a urgência Metropolitana de Lisboa tem por objetivo “dar resposta às grandes necessidades” da região de Lisboa e Vale do Tejo (LVT), indicou a Administração Regional de Saúde (ARS) desta zona. Trata-se de uma urgência que entrará em funcionamento de forma faseada e que compreenderá apenas o período noturno.
 

De acordo com a informação disponibilizada pela ARSLVT, na base da organização desta nova urgência esteve o número de médicos disponíveis e o número de utentes atendidos nesse período.
 

A “escassez de recursos humanos médicos e envelhecimento dos respetivos quadros (a partir dos 50 anos os médicos estão dispensados de fazer urgência noturna)” e “o número de doentes atendidos na região da grande Lisboa durante o período noturno por especialidade” são os dois fatores apresentados.
 

A ARS adianta ainda que esta urgência concentrará apenas as especialidades sem capacidade de resposta em termos de número de recursos humanos disponíveis.
 

A agência Lusa quis saber em que moldes irá funcionar a urgência, se esta novidade se insere no âmbito da anunciada mas ainda não conhecida reforma da rede hospitalar, e se a população que reside do outro lado do rio passará a ter que se deslocar a Lisboa em algumas situações e se tal não põe em risco o tempo mínimo necessário para o socorro ao doente. A ARSLVT não respondeu a estas questões, afirmando apenas “que dará mais informação oportunamente”.
 

Para o bastonário da Ordem dos Médicos é “inadmissível” a escassez de informação “a pouco mais de 15 dias desta alteração discricionária que vai ser imposta e que não é reforma nenhuma”.
 

“A Ordem não teve conhecimento do plano, não foi consultada, desconhecemos algum tipo de estudo relativamente a esta reforma, o número de pessoas envolvidas, as consequências, os locais e a sua capacidade física para receber um número adicional de doentes”, afirmou José Manuel Silva, considerando que “este secretismo não augura nada de bom” e que “a atuação da ARS significa que a razão que preside a esta modificação é financeira e não médica”.
 

O conhecimento que o bastonário diz ter desta reforma é escasso e foi obtido “informalmente”, mas dá conta de que vai passar a haver uma “urgência saltitante” com especialidades a “transitar mensalmente” entre os Hospitais de Santa Maria e São José.
José Manuel Silva considera “um erro técnico” ter duas urgências polivalentes em Lisboa, quando deveria ser uma em cada margem do Tejo, por razões demográficas e em caso de catástrofe.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

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