Urgência é utilizada excessivamente por doentes sem gravidade

1º Congresso Nacional da Urgência

22 outubro 2015
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A utilização excessiva dos serviços de urgência por doentes sem gravidade é um dos principais desafios dos internistas nas urgências, pois põe em risco a eficácia das vias verdes prioritárias, nomeadamente a do trauma, coronária, sépsis e AVC, refere o Núcleo de Estudos de Urgência e do Doente Agudo (NEUrgMI) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI).
 
De acordo com o comunicado enviado à ALERT, a sobrelotação dos serviços de urgência é um dos temas em debate no 1.º Congresso Nacional da Urgência, que vai ser realizado nos dias 24 e 25 de outubro no Funchal.
 
A internista e responsável pela coordenação do congresso, Maria da Luz Brazão, afirma que “os poderes públicos continuam a achar que a urgência é a única porta dos hospitais, em vez de investirem em portas alternativas” e acrescenta: “não há solução para este problema que não passe pelo desvio do excesso de afluência para outros serviços”.
 
A médica refere que “não existe um pensamento estratégico que permita o planeamento e a colocação em prática de operações de direcionamento de doentes afetados por condições epidemiologicamente previsíveis”, o que contribui para a sobrelotação dos serviços de urgência que marcou o inverno passado e que já se fez sentir em Lisboa neste outono.
 
Para colmatar a falta de planeamento, Maria da Luz Brazão salienta a importância de reabrir os serviços de atendimento permanente (SAP) assim que começar o surto da gripe. “Por outro lado, os serviços de internamento deverão aumentar a sua dinâmica com vista à utilização acrescida das áreas de ambulatório hospitalar – consultas, unidades de diagnóstico rápido, hospital de dia, unidades de internamento curto – para acrescentar mais vagas para doentes mais graves, retirando muitos doentes do ambiente da urgência. É também importante montar uma verdadeira estrutura de seguimento da doença crónica. Iniciar a hospitalização domiciliária, entre uma série de medidas estudadas e em pleno funcionamento noutros países”, acrescenta.
 
Na opinião da coordenadora este primeiro congresso é uma oportunidade para que os internistas discutam de forma positiva soluções que permitam iniciar uma revolução na vida dos serviços de urgência. “As conclusões a extrair do congresso serão apresentadas a entidades de direção máxima na área da saúde em Portugal, para que haja uma pressão construtiva sobre os planeadores centrais e institucionais.”
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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