Urânio empobrecido pode causar problemas renais em alguns soldados
12 março 2002
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Alguns soldados norte-americanos poderão registar problemas renais em consequência da utilização de munições contendo urânio empobrecido nos conflitos do Golfo e dos Balcãs, indica um relatório hoje divulgado.
 

 

Os soldados com mais riscos de desenvolverem estes problemas, sobretudo os norte-americanos, seriam os envolvidos em incidentes de fogo real com munições potenciadas com urânio empobrecido e em actividades de limpeza, segundo o documento elaborado pela Royal Society inglesa, a academia britânica das ciências.
 

 

O relatório foi elaborado devido às questões levantadas em 2001 sobre se estas munições poderiam aumentar o risco de cancros ou outras doenças nos soldados.
 

 

Estabelece-se a relação causa-efeito
 

 

Investigadores de vários países, incluindo Portugal, desenvolveram estudos para determinar essa probabilidade mas nunca se estabeleceu uma relação causa-efeito entre a utilização das munições contendo urânio empobrecido e o surgimento de doenças.
 

 

Nesta mesma linha, o painel da Royal Society determinou que a maioria dos soldados que combateram na Bósnia, Kosovo ou Golfo Pérsico não estiveram expostos a níveis de urânio empobrecido suficientemente elevados para sofrerem quaisquer danos.
 

 

No entanto, o relatório sublinha que os níveis de urânio nos rins dos soldados que serviram em tanques acidentalmente atingidos (pelas próprias forças) por munições deste tipo ou aqueles envolvidos em tarefas de limpeza poderiam atingir concentrações que poderão conduzir, a curto prazo, a disfunções renais.
 

 

Efeitos a longo prazo ainda são uma incógnita
 

 

"Contudo, saber se esta situação pode ter efeitos a longo prazo continua a ser uma incógnita", sublinha o relatório.
 

 

O documento, que faz um resumo do que os cientistas sabem actualmente sobre esta matéria, conclui ainda que as crianças que brinquem em locais onde caíram as munições contendo urânio empobrecido podem sofrer danos se ingerirem terra.
 

 

A longo prazo, as munições enterradas no solo podem eventualmente contaminar as reservas de água locais.
 

 

A aviação norte-americana utilizou munições contendo urânio empobrecido, um metal pesado ligeiramente radioactivo, durante as campanhas aéreas nos Balcãs e Golfo Pérsico.
 

 

Mas as opiniões divergem
 

 

A NATO afirmou sempre que o risco da utilização destas munições para a saúde dos soldados era negligenciável.
 

 

O rim é o órgão humano mais predisposto a sofrer os efeitos do urânio. Os poucos estudos efectuados indicam que podem acontecer falhas renais em poucos dias quando existem concentrações acima dos 50 microgramas de urânio por grama de rim.
 

 

Problemas renais menores parecem estar ligados a concentrações de cerca de um micrograma de urânio por grama de rim.
 

 

A Royal Society precisou que a maioria dos soldados teria níveis de 0,005 microgramas por grama de rim, ou menos.
 

 

No entanto, alguns soldados que desempenharam tarefas específicas poderiam ter níveis de 4 microgramas de urânio por grama de rim.
 

 

O relatório refere ainda que são improváveis problemas no sistema imunitário causados pelo urânio empobrecido, já que os níveis de exposição em combate eram demasiado baixos.
 

 

MNI – Médicos Na Internet
 

Fonte: Lusa

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