Urânio empobrecido na água e no ar

Relatório das Nações Unidas alerta para os perigos

31 março 2003
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Urânio empobrecido proveniente de armas utilizadas durante o conflito na Bósnia-Herzegovina, entre 1994 e 1995, contaminou uma estação de abastecimento de água potável, sendo ainda detectável em partículas de poeira suspensas no ar.
 

 

Um relatório difundido na semana passada em Genebra pelo
 

Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) assegura, no entanto, que os níveis de contaminação registados são «muito débeis e não representam riscos imediatos para a saúde das pessoas», não existindo sinais de radioactividade ou toxicidade.
 

 

O chefe de projectos sobre o urânio empobrecido do PNUA, Pekka Haavisto, disse que a sua organização recomendou às autoridades da região que vigiem regularmente as fontes de água subterrâneas e os depósitos de água potável próximos dos locais onde foi detectado urânio empobrecido.
 

 

Explicou que a presença de urânio em níveis tão baixos não deve ser motivo de alarme uma vez que se trata de um décimo do máximo permitido na água pelas normas internacionais.
 

 

As investigações realizadas na Bósnia permitiram ainda determinar que existe contaminação atmosférica no interior de dois edifícios, actualmente habitados, que deverão ser descontaminados como medida de precaução.
 

 

Durante o conflito, os imóveis foram objecto de ataques com armas que continham urânio empobrecido. Haavisto sublinhou ser importante, no período que sucede a qualquer conflito, proceder de imediato à descontaminação dos lugares onde se suspeita da presença de urânio empobrecido, algo que poderá ser entendido como uma recomendação para o pós-guerra no Iraque.
 

 

O representante do PNUA considerou igualmente importante sensibilizar as populações afectadas por munições que contenham este agente químico, com graves efeitos nocivos para a saúde.
 

 

O relatório apresentado é resultado de uma investigação realizada por 17 peritos na Bósnia-Herzegovina em Outubro de 2002, com financiamento dos governos italiano e suíço.
 

 

Segundo Haavisto, o PNUA pôde ainda chegar a novas constatações a partir deste trabalho de campo, nomeadamente que uma contaminação do solo aparece em níveis débeis nos pontos de impacto do urânio, pois limita-se a um raio de um ou dois metros.
 

 

Outra descoberta da equipa foi que os agentes de penetração de urânio dos projécteis, enterrados próximo da superfície, perderam 25 por cento da sua massa ao longo dos sete anos após a guerra, o que significa que estarão totalmente eliminados dentro de 25 a 35 anos.
 

 

O relatório notifica ainda o primeiro caso de contaminação de água subterrânea por urânio empobrecido, que ocorreu por efeito de infiltração no solo com o passar do tempo.
 

 

Fonte: Lusa
 

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