Universidade de Aveiro investiga diversidade genética timorense

Vantagens para a medicina legal

02 dezembro 2002
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Estudo do Centro de Biologia Celular recolhe amostras biológicas para descobrir origens da comunidade sobre a qual "não se sabe praticamente nada".
 

 

Samuel Freitas é timorense. Tem nome português, como tantos outros timorenses, mas não sabe da existência de portugueses na sua família. Também não conhece a história do seu país, porque na escola só lhe ensinaram a da Indonésia. Mas gostava de conhecer. Porque já ouviu muitas histórias, porque sabe que pertence a um povo "com muitas variedades," e porque no seu território identifica "muitas línguas diferentes". Ao início da tarde de hoje, e ao lado de outros jovens timorenses, Samuel vai contribuir, dando sangue, para desvendar a história que não conhece. Aliás, que ninguém conhece, e que o Centro de Biologia Celular da Universidade de Aveiro pretende descobrir a partir do estudo do ADN daquele povo. O projecto PopGene Timor dá hoje mais um passo, com a recolha de amostras biológicas durante um encontro de estudantes timorenses em Portugal.
 

"Se vou dar sangue? Claro!", responde, sem hesitar, Samuel Freitas.
 

 

O jovem oriundo de Baucau está na Universidade de Aveiro há um ano, estuda engenharia química, e não tem quaisquer dúvidas de que o PopGene "é uma oportunidade muito boa". Porquê? "Porque somos um povo com muitas variedades, pessoas muito diferentes umas das outras", justifica, recordando que na escola aprendeu apenas história da Indonésia e que o pouco que sabe sobre Timor Leste se resume à "classificação de grupos pelas línguas que falam".
 

 

De resto, quando era criança ouviu "muitas histórias diferentes", das quais já nem se lembra. O que sobrou foi uma imensa curiosidade sobre as origens da mais jovem nação do mundo. Uma curiosidade que se estende à comunidade científica, e que a Universidade de Aveiro está apostada em satisfazer. Por isso, o Centro de Biologia Celular decidiu estudar a genética do povo timorense.
 

 

O objectivo será "reconhecer a diversidade genética do povo a partir de um levantamento ao nível do ADN, com a utilização da tecnologia e da variedade de marcadores genéticos de que dispomos", afirma Luís Souto, que lidera a investigação. "Os polimorfismos (variantes do genoma) têm sido estudados para praticamente todos os países, pelo interesse que apresentam em várias áreas, como a medicina legal", continua. Porém, o único levantamento que existe sobre Timor Leste remonta às décadas de 50 e 60 do século XX.
 

 

Veja tudo no: Público de sábado
 

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