Unicef alerta para deficiências nutricionais em crianças até aos dois anos de idade

Conclusão de relatório

17 outubro 2016
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Apenas uma em cada seis crianças com menos de dois anos recebe alimentos em quantidade e diversidade suficientes para a sua idade, o que coloca as restantes em risco de danos físicos e mentais irreversíveis, alerta o relatório da Unicef.
 
Intitulado “Desde a primeira hora de vida”, o documento elaborado pela agência das Nações Unidas para a infância alerta para as dificuldades de acesso a uma alimentação saudável por parte da maioria das crianças pequenas no mundo.
 
Segundo os dados deste relatório, divulgado através de nota de imprensa, à qual a agência Lusa teve acesso, a introdução tardia de alimentos sólidos, o número reduzido de refeições e a falta de variedade de alimentos são práticas generalizadas no mundo, privando as crianças de nutrientes essenciais quando o cérebro, os ossos e o físico mais precisam.
 
No âmbito da amamentação, que, segundo recomendações da Organização Mundial de Saúde, deveria ser a forma de alimentação exclusiva até aos seis meses de idade, apenas 45% dos bebés nascidos em 2015 foram amamentados na primeira hora de vida, como recomendado, e três em cada cinco bebés com menos de seis meses não recebem os benefícios da amamentação exclusiva.
 
Ainda de acordo com o relatório, quase metade das crianças em idade pré-escolar sofre de anemia e metade das crianças entre os seis e os 11 meses não recebem qualquer tipo de alimento de origem animal.
 
Outros dos alertas referenciados no documento diz respeito às desigualdades, nomeadamente na África subsaariana e Sul da Ásia, em que apenas uma em cada seis crianças dos agregados familiares mais pobres com idades entre os seis e os 11 meses têm uma dieta minimamente diversificada, comparando com uma em cada três dos agregados mais ricos.
 
A organização sublinha que a melhoria da nutrição das crianças mais pequenas poderia salvar 100 mil vidas por ano.
 
Contudo, na opinião da Unicef, cabe aos governos e aos setores-chave da sociedade apoiar as famílias para fornecer uma dieta saudável às crianças.
 
Nesse âmbito, o relatório indica a necessidade de tornar os alimentos saudáveis mais baratos e acessíveis, sugere a transferência de dinheiro ou de géneros alimentícios para as famílias mais vulneráveis, programas de diversificação de colheitas, enriquecimento de alimentos básicos, serviços de saúde comunitários com capacidade de divulgar as melhores práticas alimentares, assim como o acesso a água e a saneamento adequados para a prevenção de doenças.
 
"Não podemos permitir-nos falhar nesta nossa luta para melhorar a nutrição das crianças pequenas. A sua capacidade para crescer, aprender e contribuir para o futuro dos seus países depende disso", alerta France Begin, conselheira sénior para os assuntos de Nutrição da Unicef.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A.
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