Uma substância usada para provocar aborto pode ser usada como método contraceptivo

Substância abortiva poderá tornar-se uma pílula mensal

11 junho 2001
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Uma substância usada actualmente como agente abortivo – a mifepristona ou RU-486 – tem poder contraceptivo quando tomada uma vez por mês, dizem cientistas escoceses. A eficiência contraceptiva é de cerca de 95%. Uma vantagem deste novo método é que esta substância não é hormonal e não acarreta os perigos da ingestão diária de hormonas.
 

 

A mifepristona bloqueia a acção da homona progesterona e interrompe a formação do endométrio. Se tomada nas primeiras 8 semanas de gravidez a substância induz aborto espontâneo. O seu uso é legal na Europa, China e EUA.
 

 

Se esta substância for tomada por volta da altura da ovulação pode prevenir a nidificação do óvulo tornando-se assim um método contraceptivo.
 

 

Um dos grandes medos da possível disponibilidade desta substância é o seu uso como substância abortiva ou como pílula do dia seguinte, sem aconselhamento médico.
 

 

É também importante considerar as vantagens. É muito mais prático tomar um contraceptivo uma vez por mês. Além disso esta substância não acarreta consigo os perigosdo uso de hormonas. Como explica Anna Glasier da Universidade de Edimburgo, “muitos dos efeitos secundários e riscos do uso das actuais pílulas hormonais estão associados ao seu uso diário”. “As mulheres só estão férteis por um curto período de tempo cada mês mas apesar disso usam contraceptivos de forma contínua”, explica.
 

 

O estudo, conduzido por uma equipa da Universidade de Edimburgo, envolveu 32 mulheres que tomaram a substância em comprimido e 20 mulheres que não a tomaram. Como esta nova pílula deve ser tomada na altura da ovulação e este período é difícil de prever, os investigadores deram às 32 mulheres uns aparelhos pessoais que medem os níveis de duas hormonas na urina e calculam a altura em que a ovulação irá ocorrer.
 

 

Os resultados mostraram que 2 das 32 mulheres que tomaram a mifepristona engravidaram o que dá uma eficácia contraceptiva de cerca de 95%, comparando com os resultados das 20 mulheres que não tomaram esta substância.
 

 

Os investigadores admitem, no entanto, que existem ainda alguns problemas para ultrapassar.
 

 

A determinação da altura da ovulação implicava fazer o teste da urina 7 a 10 dias por mês para terem a certeza de que tomavam a pílula no dia certo. Algumas mulheres consideraram este método pouco fiável e trabalhoso. Além disso as mulheres disseram apresentar ligeiras hemorragias em 15% dos ciclos menstruais.
 

 

Para mulheres com ciclos menstrual absolutamente sincronizados e dias de ovulação previsíveis a pílula pode ser tomado no mesmo dia de cada ciclo. No entanto estes casos são raros e o ciclo menstrual pode mudar, de mês para mês. Em relação a isto os investigadores planeiam testar a eficácia da pílula se for tomada no mesmo dia do ciclo menstrual, em qualquer mulher.
 

 

O perigo do abuso desta substância como método abortivo também é salientado pelos cientistas. Nos testes usaram comprimidos com 200 miligramas de substância activa o que é suficiente para provocar um aborto. Vão também testar a hipótese de usar doses de mifeprestona mais reduzidas, de forma a não poderem ser usadas para abortar mas mantenham a sua propriedade contraceptiva.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI – Médicos Na Internet
 

 

Fonte: Reuters Health

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