Uma nova visão sobre o autismo

Estudo publicado na “JAMA Psychiatry”

05 fevereiro 2015
  |  Partilhar:

A severidade dos sintomas e da função adaptativa em crianças autistas em idade pré-escolar variam na altura do diagnóstico e ao longo do tempo, indica um novo estudo.

 

As Perturbações do Espetro do Autismo (PEA) são caracterizadas por um comportamento repetitivo e disfunção social, incluindo problemas de comunicação. Os sintomas das PEA variam entre leves e severos.

 

Nunca tinha sido estudada a associação entre a severidade dos sintomas e a função adaptativa ao longo do tempo, sendo considerada a doença como vitalícia, persistente e estável.

 

Peter Szatmari e colegas propuseram-se a avaliar as trajetórias de desenvolvimento daqueles dois domínios das PEA. A equipa contou com a participação de 421 crianças em idade pré-escolar às quais tinham sido diagnosticadas PEA.

 

Os investigadores recolheram dados até quatro momentos diferentes, desde a altura do diagnóstico até aos seis anos de idade, de forma a construírem a trajetória de desenvolvimento de cada criança. Foi medida a severidade dos sintomas com a Escala de Observação para o Diagnóstico do Autismo (ADOS) e a Escala Adaptativa Vineland foi usada para avaliar a função adaptativa.

 

A equipa distinguiu duas trajetórias distintas relativamente à severidade dos sintomas nos participantes. 88,6% das crianças apresentavam sintomas severos e uma trajetória estável, e 11,4% das crianças exibiam sintomas menos severos e uma trajetória de melhoria. As meninas apresentavam menos severidade nos sintomas e uma trajetória de melhoria.

 

Relativamente à função adaptativa, os resultados revelaram três trajetórias distintas para a função adaptativa: 29,2% exibia um baixo nível de função com uma trajetória de agravamento, 49,9% apresentava um nível moderado de função com uma trajetória estável e 20,9% revelava um alto nível de função com uma trajetória de melhoramento.

 

Houve um número de variáveis que foram associadas ao agrupamento para a função adaptativa. As pontuações obtidas nos testes à linguagem e cognição no início do estudo e a idade na altura do diagnóstico influenciaram o grupo de trajetória ao qual os participantes foram atribuídos.

 

Os autores comentam que esta descoberta poderá ser útil na monitorização e identificação precoce das PEA. São necessários mais estudos para verificar se esta descoberta se traduz na generalidade.

 

Os investigadores concluem que “torna-se imperativo implementar uma série de intervenções flexíveis que incidam sobre a severidade dos sintomas do autismo e sobre a função adaptativa, à medida dos pontos fortes e dificuldades de cada criança”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

Partilhar:
Ainda não foi classificado
Comentários 0 Comentar

Comente este artigo

CAPTCHA
This question is for testing whether you are a human visitor and to prevent automated spam submissions.
Incorrecto. Tente de novo.
Escreva as palavras que vê na imagem acima. Digite os números que ouviu.