Uma nova teoria para explicar a doença de Alzheimer?

Estudo publicado na revista “Neurobiology of Disease”

26 abril 2019
  |  Partilhar:
Uma equipa de investigadores descobriu que a proteína precursora de amiloide (PPA) poderá apenas desempenhar um papel de cúmplice, e não de originadora da doença de Alzheimer.
 
Após a deteção de placas senis no cérebro de pacientes com Alzheimer pelo psiquiatra alemão Alois Alzheimer, há mais de 100 anos, foi possível descobrir a presença da PPA, que produz acumulações de placa de proteína amiloide, que se suspeita desencadear a doença.
 
Apesar dos numerosos estudos sobre o papel da PPA na Alzheimer, não se percebe ainda a distribuição da PPA nos neurónios e a função desempenhada neste tipo de células.
 
Mutações detetadas na PPA foram associadas a casos raros de Alzheimer Familiar. Embora se saiba como é que a proteína se converte em placas amiloides, pouco se sabe sobre a função original da proteína nos neurónios. No caso da Alzheimer esporádica mais comum, o maior fator de risco genético é uma proteína que está envolvida no transporte do colesterol, e não a PPA.
 
Com o objetivo de descobrirem se a PPA é a responsável pela doença ou apenas uma cúmplice, os investigadores liderados pelo Instituto do Cérebro da Universidade Florida Atlantic, EUA, interromperam a interação entre o colesterol e a PPA, através de manipulação genética. 
 
Surpreendentemente, a separação entre o colesterol e a PPA provocou interferências no tráfego da PPA, assim como na distribuição do colesterol na superfície dos neurónios. 
 
Por sua vez, perante a interferência na distribuição do colesterol, os neurónios apresentaram alterações nas sinapses, fragmentação axonal e outros sinais de neurodegeneração precoce. 
 
“O nosso estudo é intrigante porque observámos uma associação peculiar entre a proteína precursora amiloide e o colesterol presente na membrana celular das sinapses, que são pontos de contacto dos neurónios e a base biológica da aprendizagem e memória”, comentou Qi Zhang, autor sénior do estudo.
 
“A proteína precursora amiloide poderá ser apenas um dos muitos cúmplices a contribuírem parcialmente para a deficiência de colesterol”, concluiu o investigador.
 
Considerando o extenso envolvimento do colesterol em quase todos os aspetos da vida neuronal, a equipa propõe uma nova teoria sobre o envolvimento da PPA na Alzheimer, especialmente na superfície das sinapses, causando a neurodegeneração.
 
ALERT Life Sciences Computing, S.A. 
Partilhar:
Comentários 0 Comentar