Uma nova teoria do ciúme

Japoneses são os menos desconfiados e brasileiros os mais

28 julho 2003
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No que diz respeito às relações amorosas, já é sabido que homens são muito mais ciumentos sobre sexo, enquanto as mulheres se preocupam mais com ligações emocionais.
 

 

Psicólogos estudaram várias explicações para este fenómeno humano, acreditando que a causa poderia estar ligada à evolução ou à cultura. Este novo estudo sugere que o lado evolucional é o mais importante.
 

 

Os dados deste trabalho internacional revelam que os homens brasileiros são os mais ciumentos do mundo, os homens e mulheres suecos são os que mais se preocupam com sexo e os japoneses aparecem como os menos ciumentos.
 

 

Em muitas culturas, os homens tendem a ser mais ciumentos sobre o facto das suas parceiras terem sexo com outra pessoa. No entanto, as mulheres, por outro lado, ficam mais aborrecidas quando descobrem uma ligação sentimental com outra. Ao que parece, os homens querem saber se os seus rivais são bons de cama, enquanto as mulheres querem saber se os homens «amam» a outra pessoa.
 

 

Psicólogos têm vindo a discutir a origem do ciúme. E estará este sentimento angustiante ligado às raízes da evolução humana ou foi transformado por recentes mudanças culturais?
 

 

Alguns especialistas, favoráveis à explicação da evolução, dizem que o ciúme poderia existir porque, historicamente, os homens nunca podiam ter certeza da paternidade das crianças geradas pelas mulheres. Por isso, para eles é importante assegurarem-se que as suas companheiras não tenham sexo com nenhum outro homem.
 

 

Essa teoria também afirma que a origem do ciúme nas mulheres está ligada ao substancial investimento que elas fazem em termos de tempo e energia para ter uma criança. Por isso, elas não querem que tudo isso seja desperdiçado e não admitem um investimento afectivo em outras mulheres.
 

 

A visão alternativa é a de que os homens ficam aborrecidos quando são traídos sexualmente por pensarem que isso significa envolvimento emocional, apesar de acreditarem que as mulheres possam envolver-se emocionalmente sem ter sexo.
 

 

As mulheres, de acordo com a teoria, não gostam da traição emocional porque acreditam que, para os homens, esta significa automaticamente sexo, apesar das mulheres acreditarem que os homens podem ter sexo sem envolvimento.
 

 

Gary Brase, da Universidade de Sunderland, no Reino Unido, analisou o ciúme em muitos países do mundo e encontrou as diferenças esperadas entre homens e mulheres. Descobriu que a maior diferença entre homens e mulheres ocorre no Brasil e a menor, no Japão.
 

 

Outra descoberta foi que na Suécia as mulheres estavam mais preocupadas com o facto dos seus companheiros terem sexo com outra pessoa. Analisando o estudo com profundidade, Brase ainda notou que a taxa de fertilidade do país pareceu fazer uma grande diferença. Países com altas taxas de fertilidade, como o Brasil, têm homens com muito ciúme da conduta sexual das suas mulheres, enquanto os homens dos países com menor fertilidade, como o Japão, se preocupam menos com isso. Brase acredita que o resultado reforça a visão evolucionária para a origem do ciúme.
 

 

Traduzido e adaptado por:
 

Paula Pedro Martins
 

Jornalista
 

MNI-Médicos Na Internet
 

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