Uma nova forma de abordagem ao controlo das DST’s

Embora ainda imperfeita, esta nova abordagem pode atingir taxas de propagação quase nulas

19 agosto 2001
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De acordo com dois novos estudos matemáticos (de Pastor-Satorras e colaboradores e Dezsö e colaboradores) , ambos publicados no periódico científico Preprint, o controlo das DST’s seria mais eficaz e menos dispendioso se, em vez das campanhas de sensibilização em larga escala com resultados incertos, a atenção fosse focada na identificação e localização de indivíduos sexualmente promíscuos para se proceder ao seu tratamento e/ou imunização.
 

 

Sabemos que não é possível definir a extensão da rede de contactos sexuais – não existe um número certo e definido de parceiros sexuais por indivíduo. Ou seja: muitas pessoas têm poucos parceiros sexuais mas, por outro lado, um número reduzido de pessoas têm muitos. Assim, podemos afirmar que a rede humana de contactos sexuais é aberta sendo mantida por pontos de contacto entre as diversas partições que a constituem – os indivíduos sexualmente promíscuos.
 

 

A propagação de uma epidemia numa rede fechada ocorre apenas quando uma doença é transmitida mais rapidamente do que a taxa de propagação definida como limiar para a mesma. A epidemia pode ser evitada numa população mantendo a taxa dos níveis de transmissão abaixo daquele valor, por exemplo através da imunização. Nas redes abertas isso não acontece e mesmo as doenças com taxas de propagação baixas, mantêm uma certa incidência na população.
 

 

Talvez a imunização e/ou tratamento dos indivíduos promíscuos seja eficaz na interrupção da transmissão das DST’s a um custo mais baixo do que as acções até agora levadas a cabo. “Isto significa que se os pontos de contacto forem neutralizados através de programas de vacinação e/ou de tratamento (dos indivíduos promíscuos), a rede aberta de contactos é rapidamente eliminada,” afirma Pastor-Satorras da Universidade Politécnica da Catalunha um dos investigadores envolvidos nos estudos publicados.
 

 

O problema inerente a esta solução é evidente: como identificar os indivíduos sexualmente promíscuos? Neste sentido encontra-se em desenvolvimento um estudo, na Universidade de Notre Dame, cujo objectivo é precisamente identificar os pontos de contacto.
 

 

Embora esta nova abordagem seja imperfeita, ela pode atingir taxas de propagação quase nulas, proporcionando uma forma de irradicação possível (mas ainda longínqua!) de algumas DST’s.
 

 

Ambas as equipas de investigação unem-se ao afirmar que “Mesmo as modestas tentativas para eliminar a propagação das DST’s através de comportamentos promíscuos como esta, ao serem aplicadas de uma forma sistematizada poderão ter mais sucesso do que as grandes campanhas dispendiosas a que nos acostumamos.”
 

 

Joaquina Pereira
 

MNI – Médicos na Internet
 

 

Fonte: Nature
 

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