Uma nova abordagem na cura da diabetes

Re-treinar o sistema imunitário poderá fornecer uma nova forma eficaz de tratar a diabetes

27 junho 2001
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Uma descoberta quase acidental levou a uma nova forma de tratar a diabetes. Uma reciclagem e re-ensinamento do sistema imunitário de ratos diabéticos curou a sua doença.
 

 

A diabetes de tipo I em humanos é causada por um defeito no sistema imunitário que ataca as células beta dos ilhéus de Langerhans do pâncreas, responsáveis pela produção da hormona insulina. Sem insulina o organismo perde a capacidade de regular o nível de glicose no sangue. Assim, a maioria dos pacientes injectam diariamente insulina de maneira a controlar o seu nível de glucose sanguínea.
 

 

Uma equipa de investigadores norte-americanos descobriu duas situações anómalas nas células T (células do sistema imunitários activas na resposta imunitária) dos ratos diabéticos. Primeiro, algumas destas células não apresentavam umas proteínas de membrana definidas como "self-peptides" e que permite identificar as células como pertencentes ao próprio organismo. Em segundo, estas células T anómalas eram muito susceptíveis a uma proteína marcadora denominada TNF-alfa, que o corpo usa para marcar células tumorais para serem destruídas.
 

 

Para matar todas as células T defeituosas, os cientistas usaram uma substância que induziu o organismo a produzir maiores quantidades de TNF-alfa e que provocou a marcação e destruição destas células. Em seguida, à medida que o corpo ia reabastecendo o sistema com células T novas, a equipa injectou células T de um dador que apresentavam o "self-petide" do organismo que as ia receber.
 

 

O objectivo da equipa era suprimir a resposta imunitária do organismo a um transplante de células beta dos ilhéus de Langerhans mas, em vez disso, verificaram, com surpresa, que as células T injectadas "treinaram" as células T novas do sistema a não atacarem as células produtoras de insulina do organismo. Surpreendentemente as células dos ilhéus de Langerhans do rato recoperaram e recomeçaram a crescer.
 

 

Em 75% dos ratos estas células produtoras de insulina recuperaram o suficiente para manter um nível de glucose normal no organismo durante 100 dias após o tratamento.
 

 

"Apesar dos resultados serem preliminares, estes são resultados excitantes na investigação da diabetes", disse uma autora do estudo.
 

 

A equipa espera começar os testes em humanos em cerca de um ano.
 

 

Helder Cunha Pereira
 

MNI - Médicos Na Internet
 

 

Fonte: New Scientist

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