Uma explicação para as zonas "iluminadas" do cérebro

Equipa alemã explica finalmente o significado das imagens obtidas em scans cerebrais

11 julho 2001
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Nas imagens já comuns de scans cerebrais podemos vemos as áreas cerebrais "iluminadas", que se pensa terem maior actividade que as restantes e que, por isso, são associadas a tarefas específicas que o organismo está a realizar nesse momento. Técnicas como a Resonância Magnética Nuclear funcional (RMNf) são úteis para estudar as zonas cerebrais com maior actividade na realização de certas tarefas, uma vez que é um procedimento não-invasivo do organismo.  

 

Mas o que será que significa realmente a "iluminação" destas zonas? Será que significa que os neurónios estão a receber ou a emitir informação? Ou quererá dizer outra coisa completamente diferente?  

 

Um novo estudo publicado no número 412 da revista Nature, conduzido por investigadores alemães, resolveu a questão e verificou que essas áreas "iluminadas", obtidas por RMNf, mostram as células nervosas - neurónios - a receber e processar sinais eléctricos.  

 

Na verdade, o que a RMNf mede não são os sinais eléctricos, mas sim a afluência de sangue a uma dada zona cerebral - quanto maior a corrente sanguínea num dado local, mais intenso é o sinal. Quando um grupo de neurónios fica activo precisa de mais "combústivel", na forma de glucose, queimada com a ajuda do oxigénio, ambos transportados pelo sangue. Daí a maior afluência de sangue a zonas activas do cérebro.  

 

Como o input (recepção) e processamento de informações é a tarefa que mais energia consume aos neurónios (mais do que o output de  

informação), faz sentido que seja este fenómeno que "atraía" maior quantidade de sangue e que, portanto, intensifique o sinal da RMNf num dado local, dizem os cientistas.  

 

Os investigadores chegaram a estas conclusões estudando o córtex visual primário de macacos que viam tábuas em xadrez giratórias. Dois fenómenos foram estudados em simultâneo: a imagem obtida por RMNf e a actividade eléctrica neuronal da zona. A actividade eléctrica e magnética foi medida com a ajuda de agulhas inseridas no cérebro do animal previamente anestesiado.  

 

Os investigadores compararam a intensidade do sinal obtido por RMNf e três tipos de actividade eléctrica dos neurónios: os campos eléctricos gerados pelo input e o processamento de informação pelos neurónios; os pulsos eléctricos gerados por cada neurónio para produzir um output; e o sinal output gerado por grupos de neurónios.  

 

O sinal de RMNf estava mais fortemente correlacionado com a actividade eléctrica aquando o input e processamento da informação pelos neurónios.  

 

Mas uma certa dose de mistério relacionada com estas imagens continua a existir: os cientistas descobriram que a afluência sanguínea é muito superior à necessária para fornecer energia aos neurónios a receber e processar informação o que implica, segundo eles, que outras funções deverão existir para a ocorrência deste fenómeno.  

 

Helder Cunha Pereira  

MNI - Médicos Na Internet  

 

Fonte: Nature

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