Um terço de utentes sem médico de família em algumas regiões do país

Alerta da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar

20 maio 2015
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Há regiões do país onde um em cada três utentes não tem médico de família, numa altura em que cada vez mais pessoas procuram os centros de saúde, alertou o presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar (APMGF).


Rui Nogueira, a propósito do Dia Mundial do Médico de Família, que se assinalou no dia 19 de maio, revelou, em declarações à agência Lusa, que “agora temos um milhão e 300 mil utentes sem médico de família, o que é muito preocupante e mais preocupante porque, em alguns lugares, como Lisboa e Algarve, a situação é muito mais grave e notória do que no resto do país.”


Segundo o dirigente, “é grave” existir 20% de utentes sem médico de família, sendo que no Algarve e nalguns locais da Grande Lisboa este percentagem sobe até aos 30%.


Rui Nogueira sublinha que a falta de médicos de família ocorre numa altura em que cada vez mais utentes são atendidos nos centros de saúde.


No entanto, para o presidente da APMGF a solução não passa por aumentar a lista de utentes por médico.


“Podemos aumentar os doentes por médico, mas depois os médicos não têm capacidade de resposta, nem os doentes consultas disponíveis”, sublinhou.


Rui Nogueira lembrou que, no ano passado, limparam-se as listas de utentes e aumentaram-nas de 1.550 para 1.900 por médico.


“Há colegas que já ultrapassam muito esse número, em situações desesperantes, até mesmo para números perfeitamente impossíveis, porque não é razoável, não é possível, ir muito além dos dois mil utentes, não há capacidade de resposta”, declarou.


Esse aumento, prosseguiu, obrigaria a que cada médico realizasse 40 ou 50 consultas por dia. “É impossível. Existe, mas são casos pontuais. Não sendo ilegal, imoral é seguramente, especialmente para os doentes que pensam que têm médico e não têm”.


Sobre o papel do médico de família, Rui Nogueira destacou à Lusa o papel de proximidade com os utentes, através da qual se identifica os efeitos da crise nas famílias portuguesas.


“As pessoas têm hoje mais dificuldades em viver, até mesmo em vir à consulta, porque têm de pagar transportes, comprar alguns medicamentos ou fazer alguns exames complementares. As pessoas têm mais dificuldades e vivem com mais tristeza. As depressões são mais frequentes”, adiantou.


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