Um quarto dos adolescentes dorme menos de sete horas por noite

Estudo da Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono

13 fevereiro 2015
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Um quarto dos adolescentes dorme menos de sete horas por noite e apenas 20% dormem mais de nove horas, revela um estudo realizado pela Associação Portuguesa de Cronobiologia e Medicina do Sono (APCMS).
 

Neste estudo, os investigadores tentaram identificar as características do sono nos adolescentes, tendo para tal contado com a participação de 354 jovens de várias escolas do país em 2013.
 

Segundo o estudo, ao qual a agência Lusa teve acesso, a maioria dos adolescentes (cerca de 67%) dorme entre sete e nove horas. De acordo com os especialistas, este número de horas “é insuficiente”, uma vez que o ideal seria dez horas, e comporta “riscos reais” para os jovens, como mau desempenho escolar e adoção de comportamentos desviantes.

Em declarações à agência Lusa, o presidente da associação e coordenador do estudo, Miguel Meira e Cruz, referiu que estes dados “não são surpresa”, mas “vêm cimentar a preocupação que existe sobre a restrição e privação do sono” nos adolescentes.
 

Miguel Meira e Cruz referiu que “os adolescentes não têm grandes regras para ir para a cama, fisiologicamente também estão mais propensos para se deitarem mais tarde”.
 

Por outro lado, têm muito mais focos de atenção, como as saídas à noite, estudar durante a noite, as discotecas, os telemóveis, as redes sociais.
 

De acordo com o especialista, os adolescentes com privação de sono têm um maior risco de terem acidentes, um pior rendimento e comportamento escolar e problemas de saúde, porque o sistema imunitário fica mais débil.
 

Também “têm mais comportamentos de risco, consomem mais substâncias nocivas, bebem mais álcool e têm comportamentos desviantes”, sublinhou.
 

De acordo com estes resultados, Miguel Meira e Cruz defendeu que têm de ser mantidos esforços para mudar comportamentos e educar a população jovem e, sobretudo, as famílias para que “o sono, algo fundamental à vida, essencial para o desenvolvimento, saúde e bem-estar, tenha um papel central na vida dos jovens”.
 

O estudo também analisou o cronotipo destes adolescentes (vespertinos, intermediários ou matutinos) e a sua interação com a duração do sono e sonolência.

 

“Constatámos que existia uma correlação inversa entre sonolência e cronotipo, ou seja, parece que os vespertinos são mais afetados pela sonolência e suas potenciais consequências”, explicou Miguel Meira Cruz.

 

Por outro lado, a relação linear direta entre o cronotipo e a duração de sono permite concluir que os matutinos têm maior tempo de sono, provavelmente porque se deitam mais cedo e são mais regrados.

 

De acordo com o coordenador do estudo, seria vantajoso “definir e adequar horários em função do relógio biológico dos estudantes, o que não é feito”.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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