Um pouco de stress é bom

Estudo publicado na revista “Psychoneuroendocrinology”

03 julho 2012
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Apesar de stress crónico ser prejudicial para a saúde, um novo estudo publicado na revista “Psychoneuroendocrinology” sugere que um pouco de stress pode ativar o sistema imunitário.

 

O sistema imunológico desempenha um papel vital na proteção do organismo contra as doenças, infeções e regeneração de feridas. De acordo com os investigadores da Stanford University School of Medicine, nos EUA, os resultados apresentados descrevem como o sistema imune deteta os potenciais perigos e se prepara para se proteger. “Não queremos ter um sistema imunitário sempre em alerta. Assim a natureza utilizou o cérebro, o órgão com maior capacidade de detetar a aproximação de perigo, para comunicar com o restante organismo através da libertação de hormonas associadas ao stress”, explicou em comunicado de imprensa, o líder do estudo, Firdaus Dhabhar.

 

Neste estudo os investigadores submeterem os ratinhos a uma quantidade moderada de stress, tendo lhes retirado várias amostras de sangue ao longo de duas horas. Foi observado que o stress conduzia a uma mobilização massiva de vários tipo de células chave do sistema imunitário para a corrente sanguínea e outras regiões do organismo. Adicionalmente o estudo apurou que esta mobilização foi conduzida pela libertação de três hormonas - a norepinefrina, epinefrina e corticosterona - pelas glândulas adrenais em resposta ao stress.

 

De forma a demonstrar que as hormonas eram responsáveis pela movimentação de determinados tipos de células, os investigadores administraram as três hormonas, separadamente e em várias combinações, a ratinhos aos quais tinham sido retiradas as glândulas adrenais. Foi verificado que a administração das hormonas conduziu a um padrão de migração das células imunes semelhante ao observado anteriormente.

 

De acordo com Firdaus Dhabhar, a norepinefrina é libertada cedo e desempenha um papel central no transporte de vários tipos de células imune, como os linfócitos, monócitos e neutrófilos no sangue. Por seu lado, a epinefrina está envolvida no transporte de monócitos e neutrófilos na corrente sanguínea e força os linfócitos a dirigirem-se para determinados locais como a pele. A corticosterona, que é libertada mais tardiamente, provoca a deslocação das células para fora do sistema circulatório, como a pele.

 

Os investigadores explicaram que a movimentação destas células ativa o sistema imunitário. Assim, o resultado deste estudo poderá conduzir a aplicações médicas, como a administração de doses baixas de hormonas associadas ao stress ou fármacos que as mimetizem ou as antagonizem, de forma a otimizar a resposta imune dos pacientes perante a vacinação e procedimentos cirúrgicos.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.
 

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