Um pequeno laboratório debaixo da pele

Estudo realizado pela École Polytechnique Fédérale de Lausanne

22 março 2013
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Investigadores suíços desenvolveram um pequeno dispositivo que,  inserido na pele,  é capaz de detetar no sangue mais de cinco proteínas e ácidos orgânicos simultaneamente. Os resultados são posteriormente enviados diretamente para o computador do médico, refere um estudo apresentado recentemente na conferência anual da DATE 13.
 

Este dispositivo desenvolvido por investigadores da École Polytechnique Fédérale de Lausanne, na Suíça, irá permitir um nível de cuidados médicos mais personalizados do que os testes sanguíneos tradicionais. Os médicos poderão monitorizar melhor os pacientes, particularmente aqueles com doenças crónicas, e os submetidos a tratamentos de quimioterapia.
 

O implante desenvolvido por Giovanni de Micheli e Sandro Carrara tem apenas pouco milímetros cúbicos de volume, mas contém cinco sensores, um rádio transmissor e um potente sistema de fornecimento de energia. A informação recolhida é encaminhada em várias fases. Após os dados terem sido recolhidos, são transmitidos através de Bluetooth para um telemóvel e enviados ao médico através de uma rede celular.
 

O estudo refere que para capturar as substâncias no organismo, como o lactato, glucose e ATP, a superfície de cada sensor foi coberta com uma enzima. “Poderíamos potencialmente detetar qualquer substância. Contudo, como as enzimas têm um tempo de vida limitado, foi necessário desenvolvê-las para que estas tivessem um maior tempo de vida possível”, revelou, em comunicado de imprensa, Giovanni de Micheli. Os investigadores referem que as enzimas testadas tinham cerca de um mês, a mês e meio de tempo de vida.
 

O estudo refere que este implante poderá ser particularmente útil para o tratamento de quimioterapia. Atualmente, os oncologistas utilizam testes sanguíneos para avaliar a tolerância dos pacientes a determinadas doses de tratamento. Nestas condições, é muito difícil administrar a dose ótima. Giovanni de Micheli acredita que este sistema poderá representar um passo importante na medicina mais personalizada. Este sistema permitirá ”uma monitorização direta e contínua tendo por base a tolerância dos pacientes e não a idade, gráficos de pesos ou testes sanguíneos semanais”, referiu o investigador.
 

No caso dos pacientes crónicos, o implante poderá enviar alertas mesmo antes de os sintomas surgirem, antecipando a necessidade de medicação. "De um modo geral, o nosso sistema tem um enorme potencial nos casos em que a evolução de uma patologia necessita de ser monitorizada ou a tolerância a um tratamento necessita de ser testada”, revelaram os investigadores.

 

ALERT Life Sciences Computing, S.A.

 

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