Um passo contra infertilidade masculina

Avanços no campo da regulação da motilidade dos espermatozóides

22 outubro 2002
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Está aberto o caminho que poderá levar a novas terapêuticas no tratamento da infertilidade masculina. Uma equipa de biólogos da Universidade de Aveiro, coordenada por Edgar e Odete Cruz e Silva, avançou significativamente no campo da regulação da motilidade dos espermatozóides, uma das principais causas de infertilidade. Os primeiros resultados, que se apresentam bastante promissores e que resultam também da coordenação com descobertas de um grupo norte-americano, foram já patenteados nos Estados Unidos. Outro aspecto muito importante deste projecto é a possibilidade de levar ao desenvolvimento de novas técnicas de contracepção masculina.
 

 

A infertilidade masculina, uma realidade que tende a crescer, tem como uma das principais causas a falta de motilidade (um dos dois parâmetros para avaliar o movimento) dos espermatozóides. Ou seja, a incapacidade das células de fertilização masculinas atingirem os óvulos femininos para se dar a fecundação. Foi, precisamente, nos mecanismos de controlo da motilidade que a investigação, que continua nos laboratórios do Centro de Biologia Celular da Universidade de Aveiro, incidiu.
 

 

Edgar Cruz e Silva trabalha há duas décadas no estudo da proteína PP1, que surge como uma das proteínas mais conservadas ao longo da evolução e está presente em quase todos os tecidos humanos.
 

 

A PP1 pertence à família das fosfatases, que são essenciais no controlo dos ciclos de fosforilação. Este é um termo técnico que designa os interruptores biológicos que ligam e desligam determinadas funções, representando «uma alteração radical nas propriedades das proteínas». A fosforilação é tanto mais importante quanto está presente um quase todos os sistemas operados no organismo: memória, transmissão sináptica, contracção muscular, transcrição dos genes e motilidade do esperma.
 

 

O que este biólogo da Universidade de Aveiro descobriu é que, dentro das fosfatases, é a proteína PP1 que está envolvida nos mecanismos de regulação da motilidade. Uma descoberta que, aliada à investigação do grupo norte-americano, abriu caminho para a regulação da actividade dos espermatozóides. O grupo dos EUA, do Oregon Primate Center, que esteve ligado à clonagem do primeiro primata, desvendou as capacidades inibidoras do ácido ocadéico, uma toxina que se encontra, por exemplo, nos bivalves na época de defeso.
 

 

Leia tudo no: Diário de Notícias
 

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